Trump: presidente anuncia novo presidente do Fed hoje
Redação Exame
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 22h49.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 05h19.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 29, que anunciará na manhã desta sexta-feira, 30, sua escolha para presidir o Federal Reserve (Fed), encerrando meses de especulações sobre quem substituirá Jerome Powell no comando do banco central mais importante do mundo.
Trump fez a declaração durante a estreia do documentário Melania, no Kennedy Center, em Washington, respondendo a repórteres quando questionado sobre o anúncio: "Amanhã de manhã", disse.
O presidente também destacou que seu indicado será “alguém muito respeitado, alguém conhecido por todos no mundo financeiro”. “Acho que ele será um presidente muito bom”.
O ex-governador do Fed, Kevin Warsh, surgiu como favorito na noite de quinta, em meio a especulações de que a candidatura do executivo da BlackRock, Rick Rieder, teria esfriado entre funcionários da Casa Branca.
De acordo com informações da Bloomberg, fontes próximas ao processo apontam que o presidente avalia quatro candidatos para o cargo: além de Warsh e Rieder, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett e o diretor do Conselho de Governadores do Fed, Christopher Waller.
A seleção foi conduzida pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Na semana passada, Bessent já havia sinalizado que o anúncio poderia ocorrer em breve. "Temos quatro candidatos fantásticos — a decisão caberá ao presidente, e imagino que ele fará um anúncio talvez já na próxima semana", afirmou em entrevista coletiva em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial.
Hoje, mais cedo, porém, Trump apontou em reunião na Casa Branca que faria o anúncio na próxima semana. Na ocasião, o republicano voltou a pressionar o banco central americano por uma redução das taxas de juros.
O nome escolhido por Trump, no entanto, poderá enfrentar resistência no Senado. O senador republicano Thom Tillis, membro da Comissão Bancária, declarou que pretende bloquear qualquer indicação ao Fed enquanto não for concluída a investigação do Departamento de Justiça sobre o banco central.
Do ponto de vista formal, o mandato de Powell termina em maio de 2026, após oito anos no cargo.
Indicado originalmente por Trump em 2018 e reconduzido pelo ex-presidente Joe Biden em 2022, Powell teve apoio bipartidário nas duas votações de confirmação no Senado, com placares amplos — 84 a 13 na primeira indicação e 80 a 19 na recondução.
Além da presidência, Powell ocupa uma cadeira no Conselho de Diretores do Fed. Esse mandato como diretor vai até janeiro de 2028, mas ele ainda não deixou claro se pretende permanecer no colegiado após o fim de seu período como chair.
Ontem, em entrevista coletiva, Powell foi submetido a uma bateria de perguntas que extrapolavam a política monetária: desde uma investigação do Departamento de Justiça sobre suspeitas de superfaturamento em obras de prédios do Fed até as pressões públicas de Trump por cortes nos juros.
O chairman se recusou a comentar qualquer tema que não estivesse ligado à economia americana, mas respondeu uma jornalista sobre a importância da autonomia dos bancos centrais — “benéfica para a população”, disse Powell — complementando que a política monetária não pode ser instrumentalizada em ciclos eleitorais.