Petrobras: posição estratégica em meio à alta do petróleo (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)
Colaboradora na Exame
Publicado em 17 de março de 2026 às 06h29.
O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) elevou a recomendação de compra para as ações da Petrobras, citando três fatores principais que sustentam a tese de valorização da companhia no médio prazo. Em relatório divulgado em março, o banco também revisou o preço-alvo dos ADRs da estatal de US$ 15 para US$ 21 em 12 meses.
Segundo os analistas, a decisão reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, que vão desde a posição estratégica da empresa no mercado global de energia até perspectivas de maior geração de caixa com preços mais altos do petróleo.
O relatório descreve a Petrobras como uma das poucas empresas integradas de energia de mercados emergentes atraentes para investidores globais, com um perfil de produção robusto e de baixo custo, além de ativos competitivos e potencial de geração de caixa relevante nos próximos anos.
O primeiro ponto destacado pelo banco é o chamado “valor de escassez” da Petrobras. De acordo com os analistas, existem poucas companhias integradas de energia em mercados emergentes com escala comparável disponíveis para investidores internacionais.
Nesse contexto, a Petrobras se destaca como uma das principais estatais brasileiras listadas em bolsa, oferecendo exposição ao setor de petróleo em um país relevante na produção global. O relatório também observa que fatores políticos, como o ambiente regulatório e o cenário eleitoral no Brasil, podem atuar como catalisadores para as ações ao longo do tempo.
O segundo fator que sustenta a recomendação é o perfil de produção considerado competitivo. O banco destaca que a Petrobras possui ativos de alta qualidade, especialmente nas áreas do pré-sal, que permitem custos de produção relativamente baixos e margens robustas.
Esse posicionamento, segundo o relatório, aumenta a resiliência da empresa mesmo em cenários de preços menos favoráveis do petróleo, além de colocá-la em posição competitiva em relação a grandes companhias globais do setor.O terceiro ponto central da tese do BTG é a expectativa de retomada da geração de caixa nos próximos trimestres. O banco trabalha com um cenário de petróleo do tipo Brent em torno de US$ 80 por barril, combinado a ajustes nos preços domésticos de combustíveis. Nesse contexto, a expectativa é que a companhia volte a apresentar fluxos de caixa excedentes.
Nas estimativas do banco, a Petrobras poderia registrar retorno de fluxo de caixa livre ao acionista próximo de 10% em 2026, além de dividend yield em torno de 9%. Para 2027, considerando um cenário de Brent a US$ 70 por barril, as projeções indicam retorno de fluxo de caixa livre de de cerca de 13% e dividend yield próximo de 11%.
Mesmo após uma valorização relevante das ações ao longo do ano, o banco avalia que o papel ainda pode apresentar potencial de alta.Na visão do BTG, a combinação entre preços mais elevados do petróleo, produção eficiente e melhora na geração de caixa sustenta perspectivas positivas para a companhia no médio prazo.