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Três meses de guerra no Irã: petrolíferas saem do topo e siderurgia assume liderança no Ibovespa

A guerra que fez as petroleiras dispararem também plantou a semente do fim do seu rali

Petroleiras na bolsa: fôlego reduzido após três meses de guerra (Anton Petrus/Getty Images)

Petroleiras na bolsa: fôlego reduzido após três meses de guerra (Anton Petrus/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 28 de maio de 2026 às 05h00.

O que parecia uma corrida sem fim das petrolíferas no Ibovespa logo perdeu fôlego. No primeiro mês após o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro de 2026, as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) e da PRIO (PRIO3) ocupavam, nessa ordem, as três primeiras posições entre as ações do índice com maior valorização. A dominância que parecia natural diante da escalada do petróleo no mercado internacional. Três meses depois, as mesmas ações ainda figuram no top 10, mas já não lideram. O pódio foi entregue a uma empresa do setor de siderurgia.

A ação USIM5, da Usiminas, acumula alta de 44,7% desde o início do conflito e lidera com folga o ranking do Ibovespa no período. O papel ficou praticamente fora do radar no primeiro mês de guerra e chegou a cair enquanto as petroleiras dominavam. Foi entre abril e maio que a ação explodiu, acumulando a maior parte dos seus 44,7%. E o gatilho foi o balanço do primeiro trimestre de 2026, com números considerados fortes e que fizeram a Usiminas virar queridinha dos analistas no setor siderúrgico.

Na sequência, vem HAPV3, da Hapvida, com alta de 18,2%. A ação da companhia vem de um período de forte desvalorização e deu um arrancada com notícias de mudanças societárias, planos de vendas de ativos, além de um balanço que agradou os analistas, apesar de algumas desacelerações.  A terceira do ranking, a Braskem (+18,0%), também foi beneficiada por uma reestruturação societária com a entrada do grupo IG4 Capital. No acumulado de três meses, setores que pouco tinham a ver com a narrativa da guerra, surfaram ventos próprios.

Evolução das petrolíferas — posição e variação acumulada mês a mês

Ticker1 mês (31/mar)Posição2 meses (30/abr)Posição3 meses (27/mai)Posição
PETR3+26,2%+28,1%+12,6%
PETR4+23,8%+24,8%+8,9%10º
PRIO3+21,5%+21,9%+15,6%
RECV3+13,9%+5,2%15º-4,1%24º
BRAV3+10,4%+2,6%19º+6,8%11º
Variações calculadas com base no fechamento de 27/02/2026. Fonte: B3. Elaboração: Exame Invest.

O mês em que o petróleo reinava

Nos primeiros 30 dias de guerra, a lógica do "petróleo sobe, petroleiras sobem junto" prevaleceu. PETR3 avançou 26,2% entre 27 de fevereiro e 31 de março, a maior valorização do Ibovespa no período. PETR4 ficou em segundo, com +23,8%, e PRIO3 em terceiro, com +21,5%. RECV3 e BRAV3 também estavam no top 10, em sexto e nono lugar, respectivamente. Das dez maiores altas do índice naquele primeiro mês, cinco eram de empresas do setor de petróleo e gás.

O Ibovespa, que reúne cerca de 85 papéis, tinha quase metade do seu top 10 dominado por um único setor — reflexo direto da percepção de risco geopolítico e da expectativa de disrupção no fornecimento global de petróleo. No pregão de 2 de março, o primeiro depois que a guerra começou, as petroleiras foram as únicas ações em alta enquanto o restante da bolsa sangrava, com o Brent subindo quase 10% em relação ao fechamento anterior e o Estreito de Ormuz paralisado.

O efeito que não durou

O segundo mês de guerra ainda foi generoso com as petrolíferas, mas já com sinais de esgotamento. PETR3 manteve a liderança acumulada (+28,1% desde o início da guerra), PETR4 aparecia em terceiro (+24,8%) e PRIO3 em quarto (+21,9%). A novidade era a entrada de Eneva (ENEV3) na segunda posição (+26,5%), após o sucesso de sua participação no Leilão de Reserva de Capacidade, e o enfraquecimento progressivo de BRAV3 e RECV3, que começavam a perder posições.

A virada começou a ganhar contornos mais nítidos em abril, quando o anúncio de um cessar-fogo temporário entre EUA e Irã derrubou o petróleo e fez o Ibovespa bater recorde — mas puxado pelos bancos e pela Vale, não pelas petrolíferas. A rotação setorial que analistas já previam começou a se materializar. Conforme a Exame apurou ao completar dois meses de guerra, economistas já alertavam: "No curto prazo, isso tende a provocar rotação setorial, com a saída de petróleo/mineração e entrada em consumo doméstico, utilities e construção", disse Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos.

Três meses depois: a inversão completa

No terceiro mês, o cenário se inverteu de vez. Com a relativa estabilização dos preços do petróleo, ainda que em patamares bem mais elevados do os de antes da guerra, e a absorção do choque inicial pelo mercado, o rali das petroleiras perdeu combustível. PRIO3 caiu para o quinto lugar no ranking acumulado, com +15,6%. PETR3 recuou para o sétimo (+12,6%). PETR4 ainda sobreviveu no décimo lugar (+8,9%), mas com metade da vantagem que tinha no primeiro mês.

BRAV3 ficou de fora do top 10, com alta de apenas 6,8% no acumulado. E RECV3 saiu completamente do radar positivo: acumula queda de 4,1% desde o início da guerra, ocupando a 24ª posição do ranking. O vaivém do conflito ainda pressiona o setor: em meados de maio, mesmo com as petroleiras em alta, o impacto sobre o índice já era mínimo.

Top 10 — Maiores altas acumuladas em três meses de guerra 

#TickerVariação acumuladaSetor
USIM5+44,7%Siderurgia
HAPV3+18,2%Saúde
BRKM5+18,0%Petroquímica
ENEV3+17,5%Energia
PRIO3+15,6%Petróleo ▼
GGBR4+13,1%Siderurgia
PETR3+12,6%Petróleo ▼
GOAU4+10,5%Siderurgia
NATU3+9,4%Cosméticos
10ºPETR4+8,9%Petróleo ▼
▼ Petrolíferas destacadas. Fonte: B3. Elaboração: Exame Invest.
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