Tesla (TSLA34) vende 75% de sua posição em bitcoin, mostra balanço do 2T22

Em abril de 2021, a montadora de carros elétricos tinha comprado US$ 1,5 bilhão em bitcoin, contribuindo para elevar a cotação da criptomoeda
Fábrica da Tesla (TSLA34) (Mike Blake/Reuters)
Fábrica da Tesla (TSLA34) (Mike Blake/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 20/07/2022 às 17:52.

Última atualização em 20/07/2022 às 18:37.

A Tesla (TSLA34) divulgou nesta quarta-feira, 20, os resultados do segundo trimestre de 2022, onde informou que vendeu 75% dos bitcoins (BTC) que tinha em portfólio.

"Convertemos aproximadamente 75% de nossas compras de bitcoin em moeda fiduciária. As conversões no segundo trimestre adicionaram US$ 936 milhões em caixa ao nosso balanço".

Em fevereiro de 2021, a montadora anunciou que tinha comprado US$ 1,5 bilhão em bitcoin, contribuindo para levar a cotação da criptomoeda para sua máxima histórica, superando US$ 61 mil na época.

Pouco depois, a empresa acabou passando a aceitar bitcoin como forma de pagamento para seus veículos. Entretanto, dias depois do anúncio, Musk voltou atrás, anunciou que devido a preocupações ambientais relacionadas à mineração do BTC, a Tesla havia decidido interromper as vendas usando essa forma de pagamento, mas negou que a companhia iria se desfazer da criptomoeda.

A Tesla já tinha vendido cerca de 10% de sua posição em bitcoin no ano passado, por US$ 272 milhões, segundo documentos enviados à SEC na época. Naquele momento, Musk afirmou que a venda "serviu para comprovar a liquidez do bitcoin como uma alternativa ao dinheiro no balanço da empresa".

Ao anunciar a venda de 75% de sua posição por US$ 936 milhões, a Tesla indica que ainda mantém um investimento de aproximadamente US$ 312 milhões na criptomoeda. Somado aos 10% que já tinha sido vendidos no ano passado, os números mostram que a operação com bitcoin ainda foi lucrativa para a empresa, rendendo cerca de US$ 20 milhões — o que vai mudar de acordo com os movimentos de preço da criptomoeda daqui para a frente.

O caixa da Tesla no final do trimestre, equivalentes de caixa e títulos negociáveis de curto prazo aumentaram para US$ 18,9 bilhões, impulsionados principalmente pelo fluxo de caixa livre de US$ 621 milhões, parcialmente compensado por pagamentos de dívida de US$ 402 milhões.

"Temos liquidez suficiente para financiar nossos projetos de produtos, planos de expansão de capacidade de longo prazo e outras despesas", salientou a Tesla, "Planejamos aumentar nossa capacidade de fabricação o mais rápido possível. Em um horizonte de vários anos, esperamos alcançar um crescimento médio anual de 50% nas entregas de veículos. A taxa de crescimento dependerá da capacidade de nossos equipamentos, tempo de atividade da fábrica, eficiência operacional e capacidade e estabilidade da cadeia de suprimentos".

Tesla (TSLA34) registra queda da rentabilidade no trimestre

No segundo trimestre do ano, o lucro líquido da Tesla foi de US$ 2,5, bilhões, alta de 98% em relação ao mesmo período do ano passado, quando tinha sido de US$ 1,14 bilhão.

Entretanto, na comparação trimestral, o lucro líquido da montadora de carros elétricos diminuiu de quase 50%, pois nos primeiros três meses do ano a empresa lucrou US$ 3,31 bilhões.

A receita total foi de US$ 16,93 bilhões, alta de 42% na comparação com o segundo trimestre de 2021, quando tinha sido de US$ 11,95 bilhões.

No primeiro trimestre de 2022, a Tesla teve uma receita de US$ 18,75 bilhões.

Um resultado superior as expectativas do mercado, que aguardavam uma receita de US$ 17,1 bilhões.

As vendas com automóveis foi de US$ 14,60 bilhões, alta de 43% em relação aos US$ 10,02 bilhões registrados no mesmo período de 2021.

No início deste mês, a Tesla relatou entregas de 254.695 veículos elétricos para o período encerrado em 30 de junho de 2022, mostrando um crescimento de 27% em relação ao trimestre do ano anterior, mas uma queda de 18% na comparação trimestral.

As entregas são a maior aproximação das vendas divulgadas pela Tesla. Seus veículos Modelo 3 e Modelo Y representaram 93% dessas entregas.

A margem operacional passou de 11% entre abril e junho de 2022, para 14,6% no segundo trimestre desse ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de US$ 3,79 bilhões, alta de 52% em relação aos US$ 2,4 bilhões registrados no mesmo período de 2021.

Tesla (TSLA34) salienta que fechamento da fábrica na China afetou os resultados

Na mensagem que acompanhou a divulgação dos resultados trimestrais, o CEO da Tesla, Elon Musk, salientou como a empresa continua fazendo "progressos significativos em todos os negócios durante o segundo trimestre de 2022".

O executivo relembrou que "embora tenhamos enfrentado alguns desafios, incluindo produção limitada e paralisações em Xangai durante a maior parte do trimestre", os números foram positivos.

"Novas fábricas em Berlin-Brandenburg e Austin continuaram a crescer no segundo trimestre. A Gigafactory Berlin-Brandenburg atingiu um importante marco de mais de mil carros produzidos em uma única semana, ao mesmo tempo que alcançou uma margem bruta positiva durante o trimestre. Da nossa fábrica em Austin, os primeiros veículos com células 4680 fabricadas pela Tesla e baterias estruturais foram entregues aos nossos clientes nos EUA. Continuamos a investir na expansão da capacidade de nossas fábricas para maximizar a produção", explicou Musk.

O CEO da Tesla também explicou como "o negócio de Energia também teve um progresso significativo no segundo trimestre, alcançando volumes mais altos com economia de unidade mais forte".

"Isso resultou em um lucro bruto recorde geral. O interesse do cliente em nossos produtos de armazenamento continua forte e bem acima da nossa taxa de produção. Com cada uma das fábricas de Fremont e Xangai atingindo seus meses de produção mais altos e o crescimento de novas fábricas, estamos focados em um segundo semestre recorde de 2022", concluiu o CEO Da Tesla.