Tesla (TSLA34) entrega menos veículos do que as previsões e ações caem no pré-mercado

A fabricante de carros elétricos enfrentou problemas ligados a inflação de insumos, rotatividade e dores do crescimento de suas fábricas
Tesla (TSLA34) (Michele Tantussi/Reuters)
Tesla (TSLA34) (Michele Tantussi/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 03/10/2022 às 10:30.

Última atualização em 03/10/2022 às 10:36.

A Tesla (TSLA34) divulgou nesta segunda-feira, 3, os números da entrega de veículos do terceiro trimestre de 2022.

Entre julho e setembro, a Tesla entregou 343 mil carros elétricos, com uma produção total de 365 mil. Um número aquém das expectativas dos analistas, que esperavam uma entrega de 364.660 veículos.

Com isso, as ações da Tesla caíram 5% no pré-mercado do Nasdaq.

No trimestre, a Tesla produziu 19.935 veículos Model S e X, que são considerados mais caros, e 345.988 veículos Model 3 e Y, que são mais populares.

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A produção total aumentou em relação ao trimestre anterior, quando a empresa liderada por Elon Musk fabricou 258.580 veículos. No mesmo trimestre do ano passado, as entregas foram de 254.695 veículos e a produção de 237.823 carros, incluindo apenas 8.941 modelos S e X.

“À medida que nossos volumes de produção continuam a crescer, está se tornando cada vez mais desafiador garantir a capacidade de transporte de veículos e a um custo razoável durante essas semanas de pico de logística”, informou a Tesla em comunicado, "No terceiro trimestre, começamos a fazer a transição para um mix regional mais uniforme de construções de veículos a cada semana, o que levou a um aumento nos carros em trânsito no final do trimestre".

As entregas trimestrais são alguns dos indicadores mais observados da Tesla, pois são a base dos resultados financeiros da montadora. 

Inflação e turnover de executivo prejudicaram as atividades da Tesla (TLSA34)

No terceiro trimestre de 2022, a Tesla enfrentou uma alta da inflação dos insumos, rotatividade de executivos e problemas de crescimento em suas novas fábricas na Alemanha e no Texas.

Em julho deste ano, a Tesla teve que suspender temporariamente a maior parte da produção de sua fábrica em Xangai por causa de trabalhos de reforma. No mês de agosto, no entanto, a produção e as entregas da empresa na China se recuperaram, segundo dados divulgados pela Associação de Carros de Passageiros da China.

Nos últimos meses, a Tesla enfrentou também problemas de produção ligados aos repetidos lockdowns na China, que paralisaram a fábrica de Xangai.

Nos EUA, no final do segundo trimestre, a Tesla demitiu um escritório inteiro de IA e fez outros cortes no quadro de funcionários. Musk também exigiu que todos os funcionários trabalhassem presencialmente em escritórios da Tesla pelo menos 40 horas por semana, revogando a permissão de trabalho remoto.

Essa decisão do CEO gerou a demissão de alguns funcionários e a saída de outros, enquanto aqueles que retornaram ao escritório encontraram condições de superlotação que persistiram até o terceiro trimestre, dificultando o trabalho normal em algumas instalações da empresa, incluindo a fábrica de automóveis da Tesla na Califórnia e fábrica de baterias no Nevada.