Tesla (TSLA34) continua em forte queda, mas investidor pessoa física não desiste

Mesmo tendo perdido mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado desde o começo do ano, a montadora continua uma das queridinhas dos pequenos investidores
 (Mike Blake/Reuters)
(Mike Blake/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo CautiPublicado em 06/10/2022 às 16:47.

Desde o começo do ano, as ações da Tesla (TSLA34) estão acumulando uma queda superior a 40% na Nasdaq, chegando na mínima desde o começo do ano, em US$ 236,95.

Uma queda muito maior do que o índice Nasdaq como um todo, que perdeu 29%, e também das ações "colegas" do setor tecnológico, como a Apple (APPL34), que caiu 19%, ou a Alphabet (GOGL34), que caiu 29%.

A casa automotiva mais valiosa do mercado mundial, que chegou a valer mais do que um US$ um trilhão, está perdendo capitalização por causa de uma sequência de notícias negativas, que acabaram abalando os mercados.

Entre elas, a notícia de que o CEO, Elon Musk, deverá vender ações por US$ 5,4 bilhões para fechar a controversa aquisição do Twitter (TWTR34).

Além disso, os dados sobre as entregas de Tesla do último mês desiludiram o mercado, devido a um crescimento considerando insuficiente para permitir alcançar as metas anuais.

Por último, há o quadro macro, com a incerteza sobre as escolhas do Federal Reserve (Fed) para combater a inflação nos Estados Unidos. Se de um lado a economia americana está se demonstrando muito mais saudável do que muitas outras, existe o medo de que o Banco Central continue elevando juros, criando uma conjuntura mais difícil para empresas intensivas de capital, como a Tesla.

Investidores pessoas físicas não desistiram da Tesla (TSLA34)

Mas há quem não desista. Quando, na segunda-feira, as ações da Tesla despencaram após a divulgação dos dados de produção e entrega, fechando em queda de 8,5%, os investidores pessoas físicas da marca e os day traders até aumentaram suas compras de ações.

Segundo a Bloomberg, o volume de compra e ações por parte dos investidores até aumentou na segunda-feira, mesmo dia da publicação dos resultados negativos de entregas. Na sexta-feira anterior, o volume de compra tinha sido de US$ 18,2 bilhões, passando para US$ 24 bilhões na segunda e US$ 27,3 na terça, para baixar para US$ 20,7 bilhões na quarta.

O comportamento desses verdadeiros "fãs" da Tesla foi interceptado pela Vanda Research, que realizou um relatório mostrando como nos últimos cinco dias de negociação, as compras líquidas de ações da montadora de carros elétrico por investidores de varejo ficaram em torno de US$ 500 milhões.

Gráfico que mostra a compra de ações por parte de pessoas físicas e o preço das ações da Tesla (TSLA34)

Gráfico que mostra a compra de ações por parte de pessoas físicas e o preço das ações da Tesla (TSLA34) (Vanda Research/Exame)

 

"Investidores de varejo aumentaram suas compras de Tesla, pois as ações caíram após os resultados decepcionantes nas entregas. Já discutimos o quanto os investidores de varejo estão superexpostos a mega caps, se o preço das ações cair acentuadamente em relação aos níveis atuais, esperamos ver uma redução no oferta de varejo e uma aceleração incremental do sell-off. A demanda de varejo é fundamental para um desempenho superior sustentado da empresa", explica em entrevista exclusiva à EXAME Invest, Connor Mayes, vice-presidente da Vanda Research.

No entanto, sendo uma ação com níveis de negociação crescentes e múltiplos altos, a Tesla não foi poupada da liquidação do mercado que fez com que os investidores fugissem de ativos mais arriscados em favor de "portos seguros".

Até por causa dos muitos desafios que a casa automotiva está enfrentando. Desde a cadeia de suprimentos até problemas logísticos e de continuidade de produção, sem contar o aumento dos custos de matéria-prima. Mas o maior problema talvez seja o êxito do caso Musk-Twitter e suas repercussões sobre a montadora de carros elétricos. Algo que está tirando o sono dos grandes acionistas da Tesla, e que pode começar a preocupar os pequenos também.