Super Quarta com Fed e Copom, BCE em reunião extraordinária e o que mais move o mercado

Investidores esperam por novas altas de juros no Brasil e Estados Unidos; pressão por endurecimento das políticas monetárias cresce no mercado
Roberto Campos Neto, presidente do BC (esq.) e Jerome Powell, presidente do Fed (Eric Baradat/AFP/Bloomberg via/Getty Images)
Roberto Campos Neto, presidente do BC (esq.) e Jerome Powell, presidente do Fed (Eric Baradat/AFP/Bloomberg via/Getty Images)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 15/06/2022 às 07:10.

Última atualização em 15/06/2022 às 07:43.

Bancos centrais do Brasil e Estados Unidos chegam para esta Super Quarta sob pressão de terem que aumentar as taxas de juros para acima do inicialmente previsto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) enfrenta crescentes expectativas de que o ciclo de alta não termine nesta noite, com mais uma elevação de 0,50 ponto percentual (p.p.) para 13,25% e se estenda para a reunião de agosto, levando a Selic a 13,75% ao ano. Melhores perspectivas de crescimento, após o PIB do primeiro trimestre, e preocupações fiscais estão por trás de revisões de estimativas do mercado.

A pressão sobre o Federal Reserve (Fed) é ainda maior. Apostas de que a equipe liderada por Jerome Powell, presidente do Fed, tenha que acelerar o ritmo de alta de juros se intensificaram desde a divulgação do Índice de Preço ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio na sexta-feira, 10.

Há quem espere pela manutenção do ritmo atual de 0,50 ponto percentual, mas uma alta de 0,75 p.p. já o cenário visto como o mais provável. Até mesmo uma elevação de 1 p.p., ultra-agressiva para os parâmetros americanos, está na mesa. A chance, nesta manhã, é de 3,5% para uma alta de 1 p.p. contra 96,5% para de 0,75 p.p., segundo o monitor do CME Group.

Expectativas de que o Fed endureça sua política de juros provocaram perdas significativas em bolsas do mundo todo. Os índices de Wall Street Nasdaq e S&P 500 caíram mais de 10% nos últimos cinco pregões.

Os índices apresentam leve recuperação no mercado de futuros desta manhã, com investidores apostando em alguma reação de curto prazo. Afinal, uma sinalização mais expansionista do Fed nesta tarde poderia provocar efeito contrário aos dos últimos dias, com bolsas em alta e dólar em queda.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia.

  • Desempenho dos indicadores às 7h (de Brasília):

    • Hang Seng (Hong Kong) + 1,14%
    • Shangai Composite (Xangai): + 0,50%
    • FTSE 100 (Londres): + 1,36%
    • DAX (Frankfurt): + 1,16%
    • CAC 40 (Paris): + 0,97%
    • S&P 500 futuro (Nova York): + 0,60%
    • Nasdaq futuro (Nova York): + 0,70%

Hora da decisão 

Parte da resposta será dada às 15h com a divulgação do comunicado da decisão do Fed -- e a outra parte às 15h30, com a entrevista coletiva de Powell. No Brasil, a decisão do Copom está prevista para a partir das 18h30.

BCE convoca reunião 

Mas as pressões sobre bancos centrais não se restringem aos do Brasil e Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) convocou uma reunião extraordinária para esta quarta para discutir as condições atuais do mercado.

O encontro ocorre a menos de uma semana da última decisão de juros do BCE, que manteve as taxas atuais em patamares altamente estimativos a despeito da maior inflação da história da Zona do Euro. Na quinta-feira passada, 9, o BCE também atualizou as perspectivas de crescimento do bloco para baixo e de inflação para cima, além de ter previsto duas altas de juros até setembro. Bolsas do continente avançam nesta manhã, seguindo a recuperação dos índices de Wall Street.

Veja também:
‘Super Quarta’: Fed e Copom podem tomar decisões mais duras que o esperado
Greve do BC: falta de indicadores afeta projeções do mercado antes de decisão do Copom