Stone dispara 13% após balanço do 1º trimestre, mas analistas continuam desconfiados

Receita recorde e melhora da rentabilidade impulsionam os papéis em dia de queda das bolsas
Stone: ações disparam na bolsa após resultado acima do esperado (Leandro Fonseca/Exame)
Stone: ações disparam na bolsa após resultado acima do esperado (Leandro Fonseca/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 03/06/2022 às 15:09.

Última atualização em 03/06/2022 às 17:19.

A Stone (STNE) surpreendeu positivamente o mercado com seu balanço do primeiro trimestre, divulgado após o fechamento do mercado ontem. A fintech terminou o período com receita líquida de R$ 2,07 bilhões, uma alta de 87%, se incluída a Linx em ambas as bases. Para o segundo trimestre, a projeção é que a receita fique entre R$ 2,15 bilhões e R$ 2,20 bilhões.

Já o total de pagamentos (TPV) realizados na plataforma da companhia teve alta de 63% na comparação anual, para R$ 83 bilhões.

Após a divulgação dos números — que vieram acima das expectativas do mercado —, as ações da Stone dispararam até 22% no after market. Na tarde desta sexta-feira, no horário regular de negociação, as ações conseguem se sustentar no campo positivo em um dia de derretimento das ações de tecnologia no exterior: os papéis da Stone dispararam 13% enquanto o índice de tecnologia Nasdaq caiu 2,5%.

O desempenho mostra que os investidores estão satisfeitos com os resultados. Os analistas, por outro lado, continuam céticos com o modelo de negócios da Stone. A fintech de pagamento conquistou o mercado com suas maquininhas, mas começou a derreter na bolsa após subestimar os riscos de oferecer crédito. As ações, que eram negociadas acima de US$ 80 em 2020, hoje são negociadas na casa dos US$ 11.

“Entendemos que, após a venda maciça [das ações], uma melhora no sentimento é mais do que bem-vinda. Mas após o péssimo 2021 para a Stone, acreditamos que a recuperação da confiança levará tempo”, afirmaram, em relatório, os analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), que continuam com recomendação neutra para o papel. O preço-alvo do BTG para Stone é de US$ 16.

A confiança do mercado na Stone, por sinal, sofreu um abalo após o cofundador Eduardo Pontes anunciar a saída do bloco de controle da Stone. Pontes também anunciou a conversão de suas ações com direito a voto (classe B) em ações classe A, o que foi interpretado como mais um passo de afastamento do executivo da administração da empresa. 

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A mudança na estrutura acionária é um dos motivos pelos quais o Bank of America (BofA) mantém a recomendação neutra para os papéis da Stone.

“Apesar de saudarmos as tendências de melhora na rentabilidade, mantemos nosso rating Neutro, pois acreditamos que o desempenho deve ser limitado por incertezas na integração com a Linx, um cenário desafiador de reprecificação e mudanças na estrutura acionária”, informou relatório do banco publicado após o balanço.

O BofA também reduziu o preço-alvo da Stone de US$ 17 para US$ 14 para incorporar custos maiores de captação em um cenário de juros mais altos.

Já o Itaú BBA destaca que os fortes resultados da Stone podem ser um catalisador para seus concorrentes. “Os desafios permanecem no médio prazo e o valuation não é uma pechincha. Mas esperamos um resultado positivo reação do preço das ações no curto prazo, dado que a repricificação continua — uma leitura importante para PagSeguro e Cielo”, informou o relatório do banco. 

Na bolsa brasileira, a Cielo (CIEL3) é atualmente a ação com melhor desempenho do Ibovespa no ano.