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S&P 500 recua após recordes, com petróleo em alta e incertezas no radar

Bloqueio no Estreito de Ormuz mantém petróleo em alta e aumenta incerteza global; S&P 500 saiu de máximas históricas, caindo 0,2%

Wall Street: S&P 500 cai após recordes com petróleo em alta. (Alexander Spatari/Getty Images)

Wall Street: S&P 500 cai após recordes com petróleo em alta. (Alexander Spatari/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 27 de abril de 2026 às 07h30.

Os futuros das ações do S&P 500 saíram de suas máximas históricas e recuaram cerca de 0,2% com o Estreito de Ormuz ainda fechado e os preços do petróleo em alta.

O índice para junho chegou a 7.181,50 pontos depois de as bolsas estadunidenses começarem a semana em leve queda. Nos últimos três meses, porém, a valorização é de 3,06%.

Já o futuro do petróleo Brent para julho subia 2,80%, a US$ 101,79, ao passo que o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos Estados Unidos (EUA), avançava 2,40%, a US$ 96,67.

Estreito de Ormuz

O Irã sinalizou que pode aceitar um acordo temporário para reabrir a passagem do Estreito de Ormuz, desde que os EUA suspendam restrições a portos iranianos, segundo informações da Axios divulgadas pela Bloomberg.

O bloqueio da rota, essencial para o transporte global de petróleo, já dura quase dois meses. E ainda não há definição sobre como ficará no futuro. O mercado segue operando com essa incerteza.

Depois do rali

O S&P 500 acumula alta de 8,48% no mês, impulsionado principalmente por empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e por uma temporada de resultados acima do esperado.

Agora, o mercado entra em uma semana que pode definir os próximos passos. Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta divulgam seus números na quarta-feira, 29, e a Apple, na quinta-feira, 30.

Juntas, essas empresas representam cerca de 25% do valor de mercado do índice.

Investidores querem entender se o entusiasmo recente com a IA está de fato se traduzindo em crescimento de receita e lucro ou se parte desse otimismo pode precisar ser ajustado, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

Juros e inflação

Outro ponto de atenção é a decisão de juros do Federal Reserve (Fed), também prevista para quarta-feira, assim como do Banco Central do Brasil e de reuniões de outros bancos centrais de países do G7.

Com o petróleo mais caro, cresce o receio de pressão adicional sobre a inflação.

O economista-chefe e estrategista para a Europa do Jefferies, Mohit Kumar, avaliou à Bloomberg que, mesmo com um possível acordo, dificilmente o petróleo voltaria aos níveis de antes do conflito.

"Precisamos levar em conta algum grau de impacto estagflacionário. Os EUA devem ser os menos afetados, o Sul da Ásia os mais afetados, enquanto a Europa deve ficar em algum ponto intermediário", detalhou.

Cautela global

Na Europa, as bolsas caíram 0,2%, enquanto os mercados asiáticos acompanharam o desempenho positivo de Wall Street no fim da semana passada.

Nos EUA, os rendimentos dos títulos públicos também subiram, com a taxa dos Treasuries de dez anos avançando para 4,32%, mais dois pontos-base.

O dólar teve leve queda de 0,2%, e o ouro ficou praticamente estável, indicando que, apesar da cautela, ainda não houve uma corrida mais forte por proteção.

Para o chefe de estratégia da Panmure Liberum, Joachim Klement, o mercado ainda tenta encontrar uma direção mais clara. "Os mercados estão buscando uma nova narrativa e, por ora, estão voltando ao boom da IA."

"No entanto, a maioria dos investidores parece estar sendo guiada pela incerteza e ainda está avaliando as consequências da guerra com o Irã. Isso pode significar que uma nova história macroeconômica surgirá em breve."

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