Sinqia adquire controle da LOTE45 por R$ 80 mi; CEO comenta negócio

Líder em software para o setor financeiro adquire empresa referência em soluções para gestão de portfólio e de riscos, com mais de 100 clientes entre gestoras e fundos de pensão
Bernardo Gomes, CEO e fundador da Sinqia: empresa de softwares para o mercado financeiro segue com plano agressivo de aquisições | Foto: Sinqia/Divulgação (Sinqia/Divulgação)
Bernardo Gomes, CEO e fundador da Sinqia: empresa de softwares para o mercado financeiro segue com plano agressivo de aquisições | Foto: Sinqia/Divulgação (Sinqia/Divulgação)
Por Marcelo SakatePublicado em 18/01/2022 18:48 | Última atualização em 18/01/2022 22:09Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A Sinqia (SQIA3) continua com a execução de seu plano agressivo de aquisições: acaba de anunciar ao mercado nesta tarde de terça-feira, dia 18, a compra do controle da LOTE45, uma das principais empresas em software para gestão de portfólio e controle de riscos, com gestoras, family offices, fundos de pensão e seguradoras como clientes.

A Sinqia pagará à vista 79,5 milhões de reais por uma fatia de 52% do capital social da LOTE45 e terá opção de adquirir os demais 48% em até cinco anos. A companhia pagará ainda uma parcela adicional condicionada à receita líquida em 2022.

"A LOTE45 é referência no mercado de fundos. A aquisição vai complementar o nosso portfólio nessa vertical, para a qual já temos soluções para controladoria, custódia, administração e questões regulatórias. Passamos a ter a mais completa solução para o ecossistema de fundos de investimento", disse Bernardo Gomes, CEO e fundador da Sinqia, à EXAME Invest.

Fundada em 2006 por ex-funcionários do Garantia, a LOTE45 possui mais de cem clientes em sua carteira e apresentou crescimento médio anual (CAGR) de 32,4% nos últimos cinco anos. É uma empresa de receita recorrente com margem Ebitda de 45%, acima do patamar aproximado de 20% da própria Sinqia.

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É a 23ª aquisição feita pela Sinqia, líder em software para o mercado financeiro, em sua história e a terceira desde que realizou um follow-on em que levantou 400 milhões de reais em setembro do ano passado.

"Captamos com o compromisso de usar os recursos em até três anos. Já fizemos três aquisições e utilizamos 100% dos recursos. Ou seja, cumprimos com os objetivos que haviam sido traçados. Estamos caminhando a passos rápidos rumo ao objetivo de consolidar o mercado", disse Gomes.

As aquisições concentram-se nas quatro principais verticais de atuação: bancos, fundos, consórcios e previdência. Buscam complementar o cardápio de soluções para que fiquem o mais completas possíveis e ampliar a fatia de mercado. No meio do caminho, potencializam a capacidade de cross sell de soluções entre os clientes do setor financeiro.

Com a aquisição da LOTE45 e outras recém-anunciadas mas não consolidadas no resultado, como a da NewCon, voltada para administradoras de consórcios, no fim de 2021, a receita da Sinqia deve passar para cerca de 450 milhões de reais em 12 meses. Somente a Lote45 teve cerca de 33 milhões de reais nos 12 meses de referência. O último dado divulgado, referente ao terceiro trimestre de 2021, apontava 300 milhões de reais nessa métrica.

Segundo o CEO da Sinqia, ainda que a empresa já tenha agora comprometido todos os recursos levantados com o follow-on, ainda há fôlego financeiro para novas aquisições que estão no radar.

"Continuamos com poder de fogo. Fizemos também uma emissão de debêntures no ano passado, pelo menos 250 milhões de reais em caixa, além do potencial de geração de caixa, que é maior com as últimas aquisições. Além da capacidade de alavancagem maior também por causa das empresas adquiridas", disse o executivo.

As ações fecharam em queda de 7,18% nesta terça, antes do anúncio do negócio, em um dia em que o Ibovespa teve leve alta de 0,28%. O preço de fechamento foi de 12,79 reais.

Apesar da desvalorização recente de cerca de 50% nos últimos seis meses, a ação tem recomendação de compra no mercado, como é o caso da equipe de Equity Research do BTG Pactual (BPAC11). O preço-alvo para a ação em 12 meses é de 34,00 reais, o que implica um potencial de valorização (upside) da ordem de 166%.