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Se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros, diz Powell

Powell também indicou que a autoridade monetária está atenta a fatores externos

Jerome Powell: "Se não virmos esse progresso [na inflação], então vocês não verão o corte na taxa", afirmou. (Chip Somodevilla/Getty Images)

Jerome Powell: "Se não virmos esse progresso [na inflação], então vocês não verão o corte na taxa", afirmou. (Chip Somodevilla/Getty Images)

Publicado em 18 de março de 2026 às 16h27.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, reforçou nesta quarta-feira, 18, que qualquer decisão de corte nos juros dependerá de sinais concretos de desaceleração da inflação nos Estados Unidos, após a autoridade monetária manter na tarde de hoje a taxa básica no intervalo de 3,50% a 3,75%.

Durante coletiva de imprensa, Powell foi direto ao condicionar a flexibilização da política monetária ao comportamento dos preços. "Se não virmos esse progresso [na inflação], então vocês não verão o corte na taxa", afirmou.

"O que é muito importante observarmos este ano é o avanço no combate à inflação por meio da redução da inflação dos bens, à medida que os efeitos pontuais das tarifas se refletem na economia, acrescentou Powell.

O presidente do Fed reconheceu que, apesar dos esforços recentes, o progresso no controle inflacionário tem sido limitado. "Precisamos ver isso para entender que realmente estamos fazendo progressos, porque, no geral, não fizemos", afirmou. Ele destacou que a inflação subjacente permanece em torno de 3%, ainda pressionada por choques anteriores. "Uma grande parte disso é proveniente das tarifas", completou.

Consequências da guerra no Irã nos EUA são 'incertas'

Powell também indicou que a autoridade monetária está atenta a fatores externos, como a volatilidade no setor de energia e tensões geopolíticas, mas sinalizou que esses choques podem ser desconsiderados no curto prazo, desde que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas.

A autoridade também destacou que ainda é cedo para saber a dimensão e a duração do impacto na Guerra no Irão sobre a atividade econômica dos Estados Unidos.

As projeções mais recentes do comitê mostram uma postura mais cautelosa entre os dirigentes. Embora a mediana ainda aponte para possíveis cortes ao longo do ano, houve um movimento relevante de revisão para menos flexibilização. "Houve um deslocamento significativo de alguns membros, de dois cortes esperados para um", disse a autoridade, ressaltando que as estimativas são individuais e condicionais ao desempenho da economia.

Segundo ele, a expectativa central é de que a inflação continue desacelerando, ainda que em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente, com efeitos de tarifas se dissipando ao longo do tempo. Ainda assim, reforçou que não há compromisso prévio com cortes. "A trajetória dos juros é condicional ao desempenho da economia", disse.

Powell diz que ficará como chefe do Fed até que Warsh seja confirmado

O presidente do Federal Reserve também confirmou que continuará como chefe do banco central até que o seu sucessor indicado, Kevin Warsh, seja confirmado.

O mandato de Powell como chair termina em maio de 2026, após oito anos no cargo.

No final de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o nome de Warsh para substituir Jerome Powell. A indicação ainda precisa do aval do Senado, onde enfrenta resistência. O senador republicano Thom Tillis já declarou que pretende barrar qualquer nomeação até a conclusão de investigações envolvendo Powell.

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