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Saudi Aramco obtém US$ 25,6 bi em maior IPO do mundo

Valor supera a quantia obtida pela chinesa Alibaba ao entrar em Wall Street em 2014

Saudi Aramco: petroleiro fez sua oferta inicial de ações na bolsa de Riade (Simon Dawson/Bloomberg)

Saudi Aramco: petroleiro fez sua oferta inicial de ações na bolsa de Riade (Simon Dawson/Bloomberg)

Por Agência O Globo, Reuters

5 de dezembro de 2019, 18h11

A petroleira estatal saudita Aramco lançou, nesta quinta-feira sua oferta pública inicial (IPO) de ações e obteve US$ 25,6 bilhões, disseram duas fontes à AFP.

As ações da Aramco serão cotadas na Bolsa de Riad neste mês com um preço inicial de 32 riales (US$ 8,53), elevando o valor da companhia para cerca de US$ 1,7 trilhão. Com isso, a petroleira se tornará a mais valiosa do mundo, ultrapassando a Apple.

A quantia obtida pela Aramco supera os US$ 25 bilhões acumulados pelo grupo de comércio eletrônico chinês Alibaba, quando entrou em Wall Street em 2014.

A Arábia Saudita apostou em seu mercado doméstico e em investidores da região para vender uma fatia de 1,5% da companhia, após um apetite morno no exterior, mesmo depois de uma redução na avaliação da empresa para US$ 1,7 trilhão.

A Aramco deu início a seu IPO no dia 3 de novembro após uma série de adiamentos. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que sugeriu a ideia há quase quatro anos, buscava levantar bilhões de dólares para investir em outras indústrias sem vínculo com o setor de petróleo, criar empregos e diversificar a economia do país, que é o maior exportador de petróleo do planeta.

Mais cedo, fontes disseram à Reuters que a Aramco ainda pode exercer uma opção de "greenshoe" (oferta de lote complementar de ações) de 15%, o que permitiria que o negócio fosse elevado para um valor máximo de 29,4 bilhões de dólares.

A precificação ocorre em um momento em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se prepara para aprofundar cortes na produção da commodity para apoiar as cotações do produto. Um acordo deve ser celebrado pelo grupo com aliados, como a Rússia, ainda nesta semana.

Preocupações com mudanças climáticas, riscos políticos e a falta de transparência corporativa mantiveram investidores estrangeiros distantes da oferta, forçando o reino a abandonar suas ambições de levantar até 100 bilhões de dólares através de uma listagem internacional e doméstica de uma fatia de 5%.

Mesmo com a avaliação de 1,7 trilhão de dólares, instituições internacionais demonstraram apetite moderado, o que levou a Aramco a descartar ofertas em Nova York e Londres. Ao invés disso, a empresa focou no mercado de Riad, para investidores sauditas e abastados aliados do Golfo Pérsico.

Bancos sauditas ofereceram aos cidadãos do país crédito barato para participação na oferta. Riad não tem se manifestado sobre quando e onde pode listar a Aramco internacionalmente.