Ações da Azzas: os papéis da companhia recuaram 10,88%, fechando a R$ 20,80. No ano, os papéis caíram 17,33% (Divulgação)
Repórter
Publicado em 10 de abril de 2026 às 18h34.
Última atualização em 10 de abril de 2026 às 18h42.
As ações da Azzas 2154 (AZZA3) tiveram um dia de forte descolamento do mercado nesta sexta-feira, 10, encerrando o pregão como a maior queda do Ibovespa, em um movimento marcado por notícias corporativas e revisões negativas de expectativas.
Enquanto o principal índice da bolsa brasileira renovava máximas históricas pela terceira sessão consecutiva, com avanço de 1,12%, aos 197.323,87 pontos, após atingir 197.553,64 pontos no pico do dia, os papéis da companhia recuaram 10,88%, fechando a R$ 20,80. No ano, os papéis caíram 17,33%.
A ação passou a cair forte depois que o site Neofeed noticiou a saída de Ruy Kameyama, diretor-presidente da unidade de moda e lifestyle.
A empresa confirmou a informação via comunicado na CVM.
O executivo, que ocupava o cargo desde agosto do ano passado, deixará a companhia ao fim de abril para se dedicar a novos projetos pessoais e profissionais.
"Ao longo de sua trajetória na companhia, Ruy liderou importantes iniciativas estratégicas, contribuindo para ganhos de eficiência, rentabilidade e fortalecimento das marcas do grupo", afirma a Azzas no comunicado. Antes, ele havia sido CEO da BRMalls por mais de cinco anos.
A saída acontece em um contexto de mudanças frequentes na estrutura executiva desde a criação da companhia, em agosto de 2024, quando a proposta inicial era de complementaridade entre operações em meio à fusão entre Arezzo&Co e Soma.
Desde então, a integração das diferentes frentes de negócios tem sido marcada por trocas em posições-chave, refletindo desafios na consolidação das operações e na definição de lideranças.
A unidade de moda e lifestyle comandada por Kameyama nasceu da unificação das verticais feminina (antigo Grupo Soma) e masculina (antiga AR&Co), formando uma única divisão baseada no Rio de Janeiro. O executivo, no entanto, não chegou a completar um ano à frente da área.
Em fevereiro, o executivo Rafael Sachete da Silva, com mais de 20 anos de Arezzo, e que há apenas seis meses foi deslocado do cargo de diretor financeiro da Azzas para diretor-presidente da unidade de calçados e bolsas da Azzas, também deixou o cargo para assumir o comando financeiro do Assaí.
Antes dele, porém, outros oito executivos de relevância deixaram a empresa.
Além das mudanças internas, nesta semana o Banco Safra revisou para baixo o preço-alvo das ações da Azzas, de R$ 31,50 para R$ 26, incorporando resultados recentes e um cenário macroeconômico mais desafiador.
Segundo o banco, a empresa atravessa um período de desaceleração do crescimento, com queda de receitas puxada pelo desempenho mais fraco nas unidades de calçados e na divisão democrática, o que limita ganhos de alavancagem operacional e posterga a recuperação de margens. A expectativa é de que esse cenário se intensifique diante de um ambiente macro ainda pressionado.
O Safra também reduziu sua projeção de vendas para 2026 em 1,6%, refletindo a demanda mais fraca, embora tenha elevado a estimativa de lucro em 7,9%, apoiada por margens estáveis e benefícios fiscais mais robustos. Ainda assim, a instituição manteve recomendação neutra para o papel, citando baixa visibilidade para uma retomada consistente das divisões com desempenho inferior.