Rivian Automotive passa de estrela de Wall Street para "ação zumbi"

A startup de SUV, picapes e vans elétricas já perdeu 72,35% desde sua estreia na Nasdaq
Startup de carros elétricos Rivian (Mike Blake/Getty Images)
Startup de carros elétricos Rivian (Mike Blake/Getty Images)
Carlo Cauti
Carlo CautiPublicado em 19/08/2022 às 06:26.

Menos de um ano após a estréia em Wall Street, a Rivian Automotive perdeu boa parte de seu valor de mercado.

A startup de SUV, picapes e vans elétricas, que tem Amazon (AMZO34) e Ford (FDMO34) entre seus maiores acionistas, já perdeu 72,35% desde o dia 11 de novembro, quando chegou na Nasdaq.

O valor de mercado da Rivian, que no momento do IPO era de US$ 153,3 bilhões - mais do que a GM ou a própria Ford - hoje é de apenas R$ 26 bilhões.

Na época da estreia no mercado de capitais, a empresa era avaliada 35 vezes seu faturamento.

Nem mesmo a grande novidade da "Lei sobre o Clima", um pacote de US$ 369 bilhões de dinheiro público para subsidiar a venda de arros elétricos aprovada há poucos dias pelo Congresso dos Estados Unidos, conseguiu mudar os rumos da startup.

Os investidores que levaram a cotação de suas ações para níveis estrelares no momento do IPO estão tentando manter as distâncias de empresas como a Rivian, que não conseguem garantir uma boa rentabilidade.

Especialmente em um momento de alta das taxas de juros por parte do Federal Reserve (Fed), que levou os investidores a fugirem de ações growth, especialmente do setor tecnológico.

Além disso, a maioria dos modelos da fabricante de picapes não poderão aproveitar os incentivos fiscais do governo. Pelo menos até 2025, quando é esperada a linha de veículos R2, menor e mais barata, também graças às baterias fabricadas nos EUA.

Resultados negativos da Rivian

No segundo trimestre, o prejuízo da Rivian aumentou quase três vezes, passando de US$ 580 milhões entre abril de junho de 2021 para US$ 1,71 bilhão no mesmo período deste ano.

No trimestre, a Rivian queimou US$ 1,2 bilhão, mas ainda conta com US$ 14,9 bilhões em caixa, suficientes para abrir sua segunda planta para a produção de veículos elétricos nos Estados Unidos, prevista para estrear em 2025.

A empresa construiu menos de 7 mil veículos no primeiro semestre, mas reafirmou sua meta anual de 25 mil unidades.

Entre abril e junho deste ano, a fabricante de carros elétricos entregou 4.467 veículos, contra os 1.227 entregues nos três meses anteriores.

Em termos de comparação, a Tesla (TSLA34) entregou 254.695 carros no mesmo período.

Empresa "zumbi" ou dificuldades momentâneas?

Esses resultados negativos estão levando casas de análise a catalogar a Rivian como uma "empresa zumbi", citando a liquidez como um grande problema potencial para a montadora.

A rapidez com a qual a Rivian está queimando seu caixa está preocupando os analistas.

Entretanto, existe outra corrente de pensamento que vê a Rivian ainda entre as favoritas na grande corrida pela eletrificação global do carros.

Há analistas que elevaram o preço-alvo da empresa de US$ 40 para US$ 45.

Uma posição confortável especialmente em vista do acordo comercial com a Amazon, que prevê a entrega de mais de 100 mil vans elétricas até 2030.

O mercado está olhando o que fundador e CEO da Rivian, R. J. Scaringe, um engenheiro de 38 anos formado pelo MIT, vai fazer para dar um turnaround definitivo para a empresa.