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Rivalidade com Mercado Livre? Como vai funcionar o novo marketplace dos Correios

Com estreia prevista para julho, plataforma parte da estratégia para diversificar as atividades da empresa, que já tem mais de 360 anos de atuação

Correios: com ambiente de vendas online, a empresa pretende funcionar em toda a cadeia do comércio eletrônico. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Correios: com ambiente de vendas online, a empresa pretende funcionar em toda a cadeia do comércio eletrônico. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 23 de junho de 2025 às 12h30.

Mais Correios é o nome do mais novo marketplace que entra em cena no comércio eletrônico no Brasil. A plataforma digital, como o próprio nome já sugere, é uma iniciativa dos Correios e deve começar a funcionar em julho.

O marketplace integra o projeto Correios do Futuro, estratégia de inovação para diversificar as atividades da empresa e gerar novas receitas.

Mesmo antes do lançamento, o site maiscorreios.com.br já pode ser acessado e, neste primeiro momento, é possível fazer cadastro para receber benefícios e novidades.

Os pontos físicos das mais de 10 mil agências dos Correios vão funcionar como locais de suporte para vendedores e compradores, auxiliando na captação de vendas e no atendimento ao cliente. E sendo, inclusive, um local para retirada de encomendas, no balcão ou em lockers.

“O Mais Correios chega para ocupar um espaço estratégico no e-commerce brasileiro. Estamos falando de uma plataforma que terá confiança de uma marca de 362 anos com a especialização logística que só uma empresa com a capilaridade dos nossos Correios poderia oferecer”, disse o presidente dos Correios, Fabiano Silva, durante a assinatura do contrato com a empresa Infracommerce, que irá gerir o site.

À época, o presidente também destacou que este será primeiro e único marketplace brasileiro capaz de realizar entregas, com estrutura própria, em qualquer lugar do país — e não apenas na região sudeste.

A Infracommerce fornecerá toda a infraestrutura digital, incluindo a plataforma de comercialização, sistemas de pagamento, usabilidade, segurança e suporte tecnológico, sendo remunerada por comissão sobre o valor das vendas intermediadas. A empresa foi selecionada por meio de chamamento público e oferecerá condições comerciais atrativas para consumidores e vendedores. Há planos, inclusive, de expansão para seguros, banco digital e novos negócios.

A parceria comercial terá vigência de cinco anos, contados da assinatura deste contrato, podendo ser prorrogada por mais cinco anos em comum acordo.

A estrutura dos Correios deve contribuir, e muito, para o sucesso da plataforma. Entre os diferenciais, o presidente da estatal citou a logística própria, as milhares de agências espalhadas pelo país, o frete competitivo e mais opções de entrega, incluindo novos canais dos Correios.

Em um primeiro momento, o foco será as grandes empresas. Na segunda fase, a plataforma vai abrir espaço para pequenos e médios empreendedores de todas as regiões do país.

Rivalidade com outros players

O objetivo do marketplace é fortalecer a atuação dos Correios no e-commerce. Com o ambiente de vendas online, a empresa pretende funcionar em toda a cadeia do comércio eletrônico.

Apesar da forte concorrência entre marketplaces já estabelecidos, como Mercado Livre, Magazine Luiza e Amazon, a empresa enxerga espaço para novos ambientes de vendas online que “agreguem valor e ofereçam soluções diferenciadas”.

Com o lançamento do Mais Correios, a estatal mira o enorme potencial ainda inexplorado do comércio eletrônico brasileiro — tanto entre consumidores que nunca compraram online quanto entre pequenas e médias empresas que ainda enfrentam barreiras para digitalizar suas vendas.

A proposta é oferecer uma porta de entrada acessível a esse público, com taxas competitivas, integração a grandes marketplaces e suporte presencial nas agências. A grande cartada está na logística própria, na capilaridade dos Correios e na confiança de uma empresa com mais de 300 anos de atuação. A estatal busca atrair um público que ainda hesita em comprar online devido a fraudes e atrasos.

Contas da estatal

Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, a estatal registrou um rombo de R$ 3,2 bilhões no ano passado.

No evento de lançamento, que aconteceu no início de abril, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, defendeu que este movimento levará competitividade aos Correios.

O ministro destacou que o governo federal investiu R$ 800 milhões para aprimorar a capacidade logística da estatal.

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