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"Revolução" na Renault que se reorganiza e abre o capital de unidade elétrica

Uma nova unidade elétrica, batizada de Ampere, terá 10 mil funcionários na França que devem produzir cerca de 1 milhão de veículos elétricos

A Ampere produzirá, por exemplo, os novos Renault 5 e Renault 4 elétricos, no norte da França (Daniel Pier/Getty Images)

A Ampere produzirá, por exemplo, os novos Renault 5 e Renault 4 elétricos, no norte da França (Daniel Pier/Getty Images)

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AFP

Publicado em 8 de novembro de 2022, 12h41.

Última atualização em 8 de novembro de 2022, 14h35.

A fabricante de automóveis francesa Renault anunciou nesta terça-feira, 8, uma profunda reorganização para atrair investimentos para seus projetos elétricos, assim como outras montadoras que necessitam de bilhões de euros para a transição verde desejada pela Europa.

Uma nova unidade elétrica, batizada de Ampere, terá 10 mil funcionários na França que devem produzir cerca de 1 milhão de veículos elétricos da marca Renault até 2031, anunciou o grupo em um evento para investidores em Paris.

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A Ampere produzirá, por exemplo, os novos Renault 5 e Renault 4 elétricos, no norte da França.

O grupo quer abrir o capital da Ampere “o mais breve possível” no final de 2023 e, com isso, financiará, graças ao aporte de novos capitais, sua onerosa transição elétrica, embora detenha uma “maioria significativa” nesta filial.

A Ampere espera brilhar tanto quanto sua concorrente americana Tesla, prevendo um crescimento acima de 30% anual nos próximos oito anos, e equilíbrio financeiro, em 2025.

Esta nova etapa de seu plano estratégico, denominada Revolution ("Revolução"), deve permitir à empresa francesa atingir uma margem operacional superior a 8% em relação ao grupo em 2025, e superior a 10%, em 2030.

A americana Ford também anunciou a criação de uma filial elétrica, a Model E, enquanto a alemã Volkswagen abriu o capital da marca Porsche para financiar sua eletrificação.

Híbridos e térmicos

Fora da União Euorpeia, a Renault continuará com motores a combustão interna. Dentro do bloco, porém, deve investir no futuro elétrico para se adaptar às suas aspirações climáticas, já que os novos veículos autorizados para venda em 2035 não devem emitir gases de efeito estufa.

Assim, a Renault prevê compartilhar suas atividades em 50% com o grupo chinês Geely, já proprietário da Volvo.

Os dois sócios criarão um fornecedor de equipamentos chamado Horse ("cavalo" em português) que desenvolverá, produzirá e venderá motores de combustão de gasolina e diesel, assim como híbridos.

Esta divisão franco-chinesa contará com 19 mil empregados na Europa (Espanha, Romênia e Suécia), na China e na América do Sul, distribuídos em 17 fábricas e cinco centros de pesquisa e desenvolvimento.

Estimado em mais de € 15 bilhões (um terço do total do grupo em 2021), seu faturamento deve crescer em torno de 4% até 2027.

A Renault também anunciou a criação de uma nova entidade, a Power, que unirá todas as atividades térmicas e híbridas do grupo: não apenas o projeto Horse, mas também os veículos não elétricos da marca Renault, seu modelo econômico Dacia e veículos utilitários.

A marca esportiva Alpine também será aberta a investidores e prevê um crescimento de 40% anual entre 2022 e 2030.

Uma importante questão segue pendente: o Estado francês e o sócio japonês Nissan têm, cada um, 15% de participação na Renault. Resta saber qual será a participação do grupo japonês na nova unidade elétrica.

Esta reorganização antecede uma mudança profunda na aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, com uma redução da participação da Renault no capital da Nissan, a ser especificada “nas próximas semanas”, disse o CEO do grupo francês, Luca di Meo.

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