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Reunião do Fed tem maior 'racha' entre membros em mais de 30 anos

Quatro membros do comitê manifestaram pontos de vista diferente sobre os juros, maior nível de dissidência desde 1992

Fed: membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) mantiveram a taxa básica no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva (AFP)

Fed: membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) mantiveram a taxa básica no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva (AFP)

Publicado em 29 de abril de 2026 às 15h39.

O principal destaque da decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) nesta quarta-feira, 29, não foi a manutenção dos juros, amplamente esperada pelo mercado, mas o grau de divisão interna. Quatro membros do comitê discordaram do resultado, o maior nível de dissidência desde 1992, de acordo com dados da CNBC.

Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) mantiveram a taxa básica no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, em linha com a expectativa unânime captada pela ferramenta FedWatch, do CME Group.

Ainda assim, a decisão expôs um racha relevante dentro do FOMC, que votou por 8 a 4.

De um lado, o diretor Stephen Miran voltou a defender um corte de 0,25 ponto percentual, posição que vem sustentando desde que ingressou no banco central, em 2025.

Do outro, os presidentes regionais Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan também divergiram, mas por um motivo oposto. As autoridades concordaram com a manutenção dos juros, porém rejeitaram o sinal, no comunicado, de que cortes podem estar no horizonte.

O ponto central de incômodo foi a inclusão de uma formulação que indica possíveis "ajustes adicionais" na taxa básica, interpretação vista como um indicativo implícito de que o próximo movimento seria de queda. Para esse grupo, antecipar esse viés é prematuro diante de um cenário ainda pressionado pela inflação.

Guerra contribui para "alto nível de incerteza"

O cenário que chegou ao comitê segue de dupla pressão. De um lado, o núcleo do PCE, índice de inflação preferido do Fed, segue em 3,1%, bem acima da meta de 2%. De outro, a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel, que completou nesta terça, 28, dois meses, e derrubou a visibilidade sobre os preços de energia, com o barril de Brent acima de US$ 100.

Ao decidir nesta quarta pela manutenção dos juros, as autoridades monetárias citaram que os últimos indicadores sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido.

A criação de empregos tem permanecido baixa, em média, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses, destacam. Mas a inflação segue elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais da energia.

"O Comitê busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo. Os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato", afirmou o BC dos EUA.

As autoridades monetárias ressaltaram, porém, que podem ajustar a postura da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos.

Para isso, o FOMC afirmou que avaliará uma "ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais".

Última reunião do Fed com Powell na presidência

A decisão também ganha relevância por marcar o fim do mandato de Jerome Powell como presidente do Fed, previsto para 15 de maio. O atual chair já indicou que permanecerá no cargo até que seu sucessor seja confirmado pelo Senado. O nome indicado pelo presidente Donald Trump para sucedê-lo é o de Kevin Warsh.

Mais cedo, a Comissão Bancária do Senado aprovou a nomeação de Warsh para a presidência do Fed. A votação seguiu as linhas partidárias, mas prepara o terreno para a votação final de confirmação do indicado do presidente Donald Trump no Senado, controlado pelos republicanos.

Diante disso, o foco dos investidores deve se concentrar na coletiva de imprensa do presidente de Powell. O mercado buscará sinais sobre o rumo da política monetária ao longo de 2026.

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