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Repercussão do Copom, decisão de juros na Inglaterra e Casas Bahia (BHIA3): o que move o mercado

Em uma decisão unânime, o Banco Central (BC) interrompeu o ciclo de corte de juros no Brasil e manteve a Selic em 10,50%

Radar: mercado repercute decisão do Copom em manter Selic em 10,50% ( Raphael Ribeiro/BCB/Flickr)

Radar: mercado repercute decisão do Copom em manter Selic em 10,50% ( Raphael Ribeiro/BCB/Flickr)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 20 de junho de 2024 às 08h40.

Última atualização em 20 de junho de 2024 às 08h43.

Os mercados internacionais operam em alta na manhã desta quinta-feira, 20. Na volta do feriado dos Estados Unidos, os índices futuros americanos sobem. Na Europa, as bolsas abriram em alta, já que a decisão do Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) em manter a taxa básica de juros no país era precificado pelo mercado. Por aqui, o Ibovespa futuro sobe, refletindo um otimismo com a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom). Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, após o banco central da China manter suas taxas inalteradas.

Repercussão do Copom

O mercado repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Após seis cortes consecutivos da taxa básica de juros, o Banco Central (BC) manteve, em decisão unânime, a Selic em 10,50%, interrompendo o ciclo de corte de juros no Brasil. A manutenção já era precificada pelo mercado, mas o grande foco estava em como seria a votação.

Isso porque no encontro que antecedeu o de ontem, o colegiado ficou dividido: os indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votaram a favor do corte de 50 pontos-base (bps, na sigla em inglês), enquanto os indicados pelo ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro, votaram para um corte de 50 bps.

Nesta reunião, a votação mostrou um consenso entre os nove diretores. Já o comunicado diz que a decisão foi embasada em fatores técnicos como a desancoragem das expectativas da inflação e a piora dos balanços de risco fiscal desde o último Copom. A decisão unânime também mostra que o Copom não cedeu à pressão política mesmo após críticas de Lula ao BC.

Banco central da Inglaterra mantém taxa de juros

Como já era previsto, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve novamente a taxa básica de juros do país em 5,25%, após reunião nesta quinta-feira, 20. O patamar é o mais alto em 16 anos, mas já estava precificado pelo mercado. De acordo com a ata da reunião, a votação não foi unânime, com sete diretores votando a favor da manutenção, enquanto os outros dois diretores sugeriram um corte de 25 pontos-base.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Inglaterra divulgado ontem mostrou que a taxa anual do Reino Unido desacelerou para 2% em maio, voltando à meta oficial do BoE pela primeira vez desde 2021. A melhora na inflação foi reconhecida pelo comitê de política monetária da Inglaterra, entretanto, no comunicado, foi descrito que a inflação de serviços, em 5,7% em maio, foi levemente acima do projetado e pouco abaixo dos 6% em março.

Somado a isso, para alguns membros do comitê, o retorno da inflação para a meta de 2%, embora bem-vindo, não indica necessariamente uma constância. “A manutenção de níveis elevados e notícias positivas sobre a inflação de serviços apoiou a visão de que os efeitos de segunda ordem manteriam uma pressão ascendente persistente sobre a inflação subjacente”, escreveram os diretores no comunicado.

Recuperação extrajudicial da Casas Bahia (BHIA3)

A Justiça de São Paulo homologou, nesta quarta-feira, 19, o plano de recuperação extrajudicial da Casas Bahia (BHIA3), o que significa que o plano pode ser negociado diretamente entre os credores e a companhia. O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado no final de abril, e envolve a negociação de dívidas no valor de R$ 4,1 bilhões. No mesmo dia, a Justiça deferiu o pedido, que já estava pré-acordado com os principais credores, Bradesco e Banco do Brasil, que detém 54,5% dos débitos.

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