Reação à maior Selic desde 2016, recuperação no exterior, Eneva e o que mais move o mercado

EWZ, ETF que representa a bolsa brasileira nos Estados Unidos, caiu mais de 4% na quinta-feira, 16, enquanto a B3 esteve fechada devido ao feriado
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Adriano Machado/Reuters)
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Adriano Machado/Reuters)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 17/06/2022 às 07:09.

Última atualização em 17/06/2022 às 08:40.

O mercado brasileiro volta do feriado de Corpus Christi nesta sexta-feira, 17, após bolsas internacionais terem voltado a registrar duras perdas na véspera em meio aos temores sobre recessão nos Estados Unidos.

As preocupações foram intensificadas após a maior alta de juros do Federal Reserve desde 1994 ao subir a taxa referencial em 0,75 ponto percentual para o intervalo de 1,50% e 1,75%. A 40 dias da próxima decisão de juros, as apostas majoritárias são de mais uma elevação de 0,75 p.p., que levaria a taxa americana para entre 2,25% e 2,5%.

Altas de juros para conter a inflação já se tornou um fenômeno global. Na quinta-feira, 16, o Reino Unido sua taxa pela quinta vez consecutiva e a Suíça fez sua primeira alta vez em quinze anos, contrariando o consenso do mercado de manutenção do patamar anterior de - 0,75%.

Quinta-feira tensa

Ainda que falas do presidente Jerome Powell, que afastou a possibilidade de uma alta de 1 p.p. para a reunião de julho, tenha contribuído para o apetite ao risco na quarta-feira, 15, o bom humor teve vida curta. Os índices de Wall Street Nasdaq e S&P 500 tiveram respectivas quedas de 4,08% e 3,25% na véspera, com ambos encerrando o último pregão no pior patamar desde 2020.

O EWZ, ETF que representa a bolsa brasileira nos Estados Unidos, caiu mais de 4% na quinta-feira, 16.

Parte da piora da percepção de risco pode ser absorvida pelo mercado brasileiro nesta sexta. Por outro lado, a alta de índices de ações internacionais desta manhã contribui para uma reação menos agressiva na B3.

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  • Desempenho dos indicadores às 7h (de Brasília):

    • Hang Seng (Hong Kong) + 1,10%
    • Shangai Composite (Xangai): + 0,96%
    • FTSE 100 (Londres): + 0,82%
    • DAX (Frankfurt): + 1,13%
    • CAC 40 (Paris): + 1,23%
    • S&P 500 futuro (Nova York): + 0,93%
    • Nasdaq futuro (Nova York): + 1,07%

Reação ao Copom

O dia também será de reação ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou a taxa Selic em mais 0,50 p.p. para 13,25% na noite de quarta, a maior desde 2016. Como o esperado pelo mercado, o Copom deixou a porta aberta para "um novo ajuste, de igual ou menor magnitude" para a reunião de agosto.

As opiniões do mercado logo após a decisão do Copom indicaram falta de consenso sobre o que esperar do futuro da política monetária brasileira. Parte dos economistas viram o comunicado como dovish [expansionista] por descartar uma elevação superior a 0,50 p.p., enquanto outra parte acredita que o Copom poderá ser pressionado pelo Fed a estender por ainda mais o ciclo de alta de juros.

Juros mais altos tendem a favorecer a moeda local. Na última sessão, de quarta, o dólar fechou em queda de mais de 2%, quebrando a sequência de sete altas consecutivas frente ao real. Mas expectativas de que o Fed tenha que endurecer sua política de juros para conter a inflação dos Estados Unidos jogam contra as apostas de queda da moeda americana.

Eneva anuncia follow-on

A Eneva (ENEV3) anunciou que fará uma oferta subsequente (follow-on) de 300 milhões de ações a serem emitidas pela companhia. Pela cotação do último fechamento, a oferta poderá movimentar cerca de R$ 4,25 bilhões na B3. O principal objetivo com a operação é utilizar os recursos levantados para financiar a aquisição das Centrais Elétricas do Sergipe (CELSEPAR) e das Centrais Elétricas Barra dos Coqueiros (CEBARRA), segundo fato relevante.

O BTG Pactual, coordenador líder da oferta, contratou com a companhia uma garantia firme para a colação de todas as 300 milhões de ações por R$ 13. Relativamente rara em uma oferta de ações, a garantia firme de colocação garante que a oferta seja efetivada, com o banco se comprometendo a comprar os papéis pelo valor estabelecido -- e consequentemente assumindo o risco da operação e possíveis flutuações do preço futuro das ações. O preço por ação da garantia firme, de R$ 13, significa um desconto de 12% em relação à cotação do último fechamento, com a oferta totalizando R$ 3,9 bilhões.

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