Rali global das bolsas, inflação ao produtor da Europa e o que mais move o mercado

Expectativa de altas de juros mais brandas cresce a partir de dados mais fracos da atividade econômica, mas inflação segue elevada
Bolsas disparam no exterior (champc/Getty Images)
Bolsas disparam no exterior (champc/Getty Images)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 04/10/2022 às 07:28.

Última atualização em 04/10/2022 às 07:38.

O mercado internacional dá continuidade ao segundo dia de rali para ativos de risco na manhã desta terça-feira, 4, com bolsas em alta no mundo inteiro. O movimento ocorre como recuperação das perdas de setembro, quando os principais índices de ações dos Estados Unidos e Europa fecharam em forte queda pelo segundo mês consecutivo em meio a temores de juros mais altos e recessão.

Neste início de semana, investidores se agarram em dados mais fracos que o esperado para as economias americana e europeia para justificarem as expectativas de um aperto monetário mais brando por parte do Federal Reserve (Fed). Afinal, a desaceleração já seria uma das forças no combate à inflação, sem que houvesse a necessidade de altas de juros agressivas.

O pano de fundo são os índices de gerente de compras (PMIs, na sigla em inglês) de setembro divulgados ontem, que ficaram abaixo da linha dos 50 pontos que divide a expansão da contração da atividade. Parte do mercado, no entanto, ainda vê o movimento como um "bull market dentro um bear market", descartando a chance de uma recuperação sólida a partir de agora.

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Desempenho dos indicadores às 7h30 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): + 1,54%
  • S&P 500 futuro (Nova York): + 1,80%
  • Nasdaq futuro (Nova York): + 2,20%
  • DAX (Frankfurt): + 3,21%
  • CAC 40 (Paris): + 3,55%
  • FTSE 100 (Londres): + 2,10%
  • Stoxx 600 (Europa): + 2,41%

Dados no radar

O Índice de Preço ao Produtor da Zona do Euro, divulgada nesta manhã, saiu acima do esperado para o mês de agosto, relembrando os investidores de que os riscos inflacionários seguem na mesa. O IPP de agosto saltou 5% na comparação mensal e 43,3% no acumulado de 12 meses, estabelecendo um novo recorde para o indicador na região.

Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, a agenda de dados do dia estará mais morna, mas a semana ainda promete. O dado mais aguardado é o payroll, que irá apresentar o retrato do mercado de trabalho americano na sexta-feira, 7. Na quarta, investidores já devem repercutir a prévia apresentada pelo ADP.

Os dados do mercado de trabalho são considerados os mais importantes do atual contexto, dado que o controle da inflação deverá passar por maior desemprego, segundo sinalizou o próprio  Fed. Números piores que o esperado podem dar um gás extra às bolsas internacionais, com o mercado precificando uma alta de juros mais moderada, mas efeito contrário tende a ocorrer, caso os dados mostrem uma forte criação de empregos.

Ibovespa nas alturas

No Brasil, o Ibovespa vem de sua maior alta desde 2020, após ter subido cerca de 5,5% no último pregão. Além do cenário externo positivo da véspera, o resultado das eleições teve papel fundamental na apreciação dos ativos brasileiros. A percepção do mercado foi de que a o desempenho acima do esperado da direita aos cargos do Congresso deverá se traduzir em maior responsabilidade fiscal.

Investidores também comemoraram a pequena distância entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto. Ainda que o mercado considere Lula o grande favorito para o segundo turno, é esperado um discurso mais moderado de ambos os lados na busca pelo eleitor de centro.