Acompanhe:

Quem são os vencedores do Prêmio Nobel de economia 2022 e por que ganharam

Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig foram anunciados como vencedores do prestigioso prêmio pela Real Academia Sueca de Ciências

Os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2022 (Prêmio Nobel/Exame)

Os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2022 (Prêmio Nobel/Exame)

C
Carlo Cauti

Publicado em 10 de outubro de 2022, 10h25.

A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta segunda-feira, 10, que Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig são os três vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2022 por suas "pesquisas sobre bancos e crises financeiras".

Entre as motivações do prêmio, está a significativa melhora de "nossa compreensão do papel dos bancos na economia, particularmente durante as crises financeiras uma importante descoberta de suas pesquisas sobre por que é vital evitar colapsos bancários".

Questões extremamente atuais, considerando os tempos difíceis que o mundo está enfrentando, entre pandemia, guerra na Ucrânia e alta inflação. O Prêmio Nobel de Economia foi concedido aos três justamente por seus estudos sobre o papel dos bancos nos diversos ciclos econômicos.

Mas quem são os três vencedores do Nobel de Economia deste ano?

Descubra o perfil dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia 2022

Ben Bernanke nasceu em 1953 em Augusta, Geórgia, e foi o presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, entre 2006 e 2014, nomeado pelo então presidente americano George W. Bush, e reconfirmado no cargo pelo sucessor, BarackObama. Bernanke teve que enfrentar a Crise dos Subprime, que começou em 2007-2008, e que foi a pior desde o Grande Crash de 1929. Atualmente Bernanke leciona na Brookings Institution em Washington.

Essa é a primeira vez que um ex presidente do Fed ganha um Prêmio Nobel de Economia. O reconhecimento a Bernanke deve-se ao seu artigo de 1983, onde o economista americano "demonstrou, com análises estatísticas e fontes históricas que corridas bancárias levaram à falências bancárias, e que esse foi o mecanismo que transformou uma recessão relativamente comum na depressão dos anos 1930, a crise mais dramática e grave que vimos na história moderna”.

Douglas W. Diamond nasceu em 1953, doutorou-se pela Universidade de Yale em 1980, se especializando em crises financeiras e de liquidez, e hoje ensina finanças na Universidade de Chicago.

Segundo Diamond, "os bancos centrais são capazes de derrotar a inflação, muitas vezes esquecemos uma lição de Milton Friedman e é que a política monetária dos bancos centrais age com atraso temporal". No entanto, acrescentou, "parte do problema são os déficits fiscais muito grandes em todo o mundo: a política monetária e a política fiscal devem trabalhar juntas".

Segundo Diamond o sistema financeiro global hoje "está muito mais preparado" para a eventualidade de uma crise financeira do que em 2008.

Philip H. Dybvig nasceu em 1955, obteve seu doutorado em 1979 na Universidade de Yale e é professor da Washington University, especializado em investimentos e modelos de mercado.

Diamond e Dybvig foram agraciados com o Prêmio por seu modelo teórico, também criado em 1983, que, conforme aparece na motivação do Nobel, visa "explicar as formas como se determina um fenômeno de corrida bancária, ao mesmo tempo em que fornece uma representação teórica do mecanismo através do qual os bancos criam liquidez”.

Apesar do passar dos anos, o modelo representa hoje o “ponto de referência teórico para a explicação dos fenômenos considerados, e não é por acaso que várias reformulações posteriores foram propostas”.

Prêmio Nobel de Economia na verdade não é Nobel

Ao contrário dos outros Prêmios Nobel, o de Economia não foi estabelecido pelo testamento de Alfred Nobel, mas somente em 1968 pelo Sveriges Riksbank, o Banco Central da Suécia, em memória do genial inventor da dinamite e empresário. Os vencedores são selecionados pela Real Academia Sueca de Ciências de acordo com os mesmos princípios dos Prêmios Nobel concedidos desde 1901. Os primeiros vencedores foram anunciados um ano depois: Ragnar Frisch e Jan Tinbergen. No total, o Nobel de Economia foi concedido 53 vezes para 89 vencedores, entre 1969 e 2021. A primeira mulher a ganhar foi a cientista política e cientista americana Elinor Ostrom em 2009.

Por tradição, o Nobel de Economia é sempre o último Prêmio a ser anunciado, e prevê o reconhecimento de cerca de um milhão de euros para o vencedor. A entrega é sempre no dia 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel. O Prêmio da Paz é entregue em Oslo, capital norueguesa, enquanto os outros prêmios são entregues em Estocolmo, capital da Suécia, de acordo com os desejos do Nobel.

No ano passado, 2021, metade do prêmio foi para David Card por sua pesquisa sobre como salário mínimo, imigração e educação afetam o mercado de trabalho. A outra metade foi compartilhada por Joshua Angrist e Guido Imbens por propor como estudar questões que não se encaixam facilmente nos métodos científicos tradicionais.

Os outros Prêmios Nobel de 2022 já foram entregues nos últimos dias. O Prêmio de Medicina  foi para o sueco Svante Paabo por suas descobertas sobre o genoma dos hominídeos. O de Química foi vencido por Carolyn R. Bertozzi, Morten Meldal e K. Barry Sharpless por terem aberto o caminho para a chamada "química instantânea". O de Física foi concedido para Alain Aspect, John Clauser e Anton Zeilinger por seus estudos sobre emaranhamento que abriram o caminho para o computador quântico. O de de Literatura foi ganho pela escritora francesa Annie Ernaux.  O Prêmio Nobel da Paz foi concedido ao dissidente bielorrusso Ales Bialiatski e às organizações russas de direitos humanos Memorial e ao Centro Ucraniano para as Liberdades Civis.