Ações da Petrobras: a companhia segue sendo apontada por diversos bancos e analistas como uma das principais pagadoras de dividendos da bolsa brasileira (Illustration by Budrul Chukrut/SOPA Images/LightRocket via/Getty Images)
Repórter
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 12h25.
Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 11h39.
Se um investidor tivesse aplicado R$ 10 mil em ações preferenciais da Petrobras (PETR4) há cinco anos, o investimento teria se transformado em R$ 59.487 até julho de 2026, considerando a valorização dos papéis, os dividendos e demais proventos distribuídos pela companhia no período, mas sem o reinvestimento desses valores. Nesse caso, o retorno acumulado seria de 495%.
O cálculo, feito pela Economatica a pedido da EXAME, considera a valorização acumulada da ação ajustada por proventos no período entre 31 de julho de 2021 e 31 de julho de 2026.
Nesse período, o retorno acumulado ajustado por proventos foi um dos maiores entre as empresas acompanhadas pela plataforma. A conta considera os efeitos de dividendos, juros sobre capital próprio, desdobramentos e outros eventos corporativos que alteram a trajetória da ação.
O retorno também é o maior em prazos maiores. Um investimento de R$ 10 mil há 20 anos, considerando o período de 31 de julho de 2006 a 31 de julho de 2026, teria se transformado em aproximadamente R$ 110,5 mil, o que representa um retorno total de 1.005% no período.
O desempenho da Petrobras nos últimos cinco anos reflete um período de forte geração de caixa da companhia, impulsionado pela alta distribuição de dividendos e pela recuperação operacional da estatal após uma década marcada por reestruturação financeira e avanços na governança.
Depois de atravessar uma das fases mais turbulentas de sua história, marcada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e a prisão de executivos da companhia, em 2014, queda dos preços do petróleo e elevado endividamento, a empresa voltou a ganhar espaço entre as principais recomendações do mercado.
Nos últimos anos, concentrou investimentos no pré-sal, aumentou a eficiência operacional e fortaleceu sua capacidade de geração de caixa.
A companhia também passou a operar em um ambiente mais favorável. Em 2025, registrou lucro líquido de R$ 110 bilhões, quase o triplo do resultado do ano anterior, mesmo diante da queda de 14% no preço do barril do petróleo Brent.
Já em 2026, a volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz elevou novamente as cotações internacionais do petróleo, beneficiando empresas produtoras como a Petrobras.
Ao mesmo tempo, a estatal ampliou sua produção e manteve o foco em ativos mais rentáveis, especialmente no pré-sal, responsável por cerca de 90% de suas receitas. A estratégia também inclui investimentos em infraestrutura de gás natural, fertilizantes e aumento da eficiência das refinarias, reduzindo a dependência de importações de diesel e buscando ampliar a rentabilidade das operações.
O mercado também acompanhou uma melhora na percepção sobre a governança da empresa. Após anos de mudanças na estrutura de controles internos e de maior disciplina na alocação de capital, a Petrobras voltou a ocupar posição de destaque entre as maiores petroleiras do mundo em valor de mercado, avaliada em R$ 582 bilhões.
Embora continue exposta aos riscos de interferência política por ser uma estatal controlada pelo governo federal, a companhia segue sendo apontada por diversos bancos e analistas como uma das principais pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.
Depois da Petrobras, o melhor desempenho entre as empresas analisadas pela Economatica nos últimos cinco anos foi o do Banco do Brasil (BBAS3). Um investimento inicial de R$ 10 mil teria se transformado em R$ 20.346, equivalente a uma valorização de 103%.
Na sequência aparecem Weg (WEGE3), com retorno de 48% e patrimônio acumulado de R$ 14.832, Ambev (ABEV3), com ganho de 27% e valor final de R$ 12.708, e Vale (VALE3), cujo investimento teria chegado a R$ 11.387, alta de 14%.
Na outra ponta do ranking estão empresas do varejo. As ações da Lojas Renner (LREN3) acumularam queda de 51% no período, reduzindo um investimento de R$ 10 mil para R$ 4.919. O pior desempenho foi o do Magazine Luiza (MGLU3). Segundo a Economatica, um aporte de R$ 10 mil realizado há cinco anos teria encolhido para apenas R$ 268, o equivalente a uma perda de 97%.
Em horizontes mais longos, o levantamento mostra mudanças importantes no ranking. Em 20 anos, por exemplo, a Weg lidera com folga, acumulando valorização de 4.985%, suficiente para transformar R$ 10 mil em R$ 508.512. No mesmo período, Petrobras (1.005%), Ambev (1.028%), Banco do Brasil (874%) e Vale (802%) também multiplicaram diversas vezes o capital investido.