Principal gestora de Soros vê mercado equivocado sobre recessão

A CEO e diretora de investimentos da Soros Fund Management ressalta que o consumidor americano está em boa forma, o que ajudará a economia a resistir aos aumentos de juros
Soros: como chefe da gestora de fortuna de George Soros, que começou como um fundo alavancado em 1970, Fitzpatrick administra cerca de US$ 28 bilhões (Simon Dawson/Bloomberg/Getty Images)
Soros: como chefe da gestora de fortuna de George Soros, que começou como um fundo alavancado em 1970, Fitzpatrick administra cerca de US$ 28 bilhões (Simon Dawson/Bloomberg/Getty Images)
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Bloomberg

Publicado em 31/05/2022 às 12:21.

Última atualização em 31/05/2022 às 12:41.

Apesar da liquidação maciça das ações neste ano e da inflação persistentemente alta, Dawn Fitzpatrick não está preocupada com uma recessão nos Estados Unidos tão cedo.

A CEO e diretora de investimentos da Soros Fund Management ressalta que o consumidor americano está em boa forma, o que ajudará a economia a resistir aos aumentos de juros do Federal Reserve. E embora o crescimento da renda não acompanhe a inflação, os americanos ainda têm dinheiro suficiente para pagar suas contas de cartão de crédito.

“Os aumentos das taxas desacelerarão a economia e afetarão a inflação, mas essa economia tem alguns amortecedores embutidos”, disse. Fitzpatrick, de 52 anos, em um episódio do programa Bloomberg Wealth with David Rubenstein.

Como chefe da gestora de fortuna de George Soros, que começou como um fundo alavancado em 1970, Fitzpatrick administra cerca de US$ 28 bilhões. A maior parte desse dinheiro é da Open Society Foundations, a rede de filantropia do bilionário de 91 anos que financia causas como direitos humanos, justiça e políticas progressistas.

Quando perguntada sobre a probabilidade de os EUA entrarem em recessão, após contração no primeiro trimestre, disse:

“Quando você olha para esse número do PIB, o ponto realmente importante é que ele encolheu por causa das importações líquidas, que foram negativas, o que significa que estamos importando muita mercadoria do exterior. Isso porque a demanda de consumidores e empresas é robusta. Então tem um aspecto positivo na leitura desse número do PIB. Em suma, uma recessão é inevitável. É uma questão de quando. E quando você olha para o que os mercados estão precificando, eles estão precificando uma muito cedo.”

Quanto ao tempo que o Federal Reserve demorou para começar a combater a inflação:

“Em retrospectiva, eles deveriam ter se mexido mais cedo e estão fazendo o possível para recuperar o atraso agora. Vamos vê-los se moverem de forma realmente agressiva. Cinquenta pontos-base nas próximas três reuniões já estão precificados. Acho que vamos vê-los correndo para conseguir taxas até a faixa de 2%, 2,5% e então vão reavaliar onde está a economia. É um trabalho difícil. Eles estavam obviamente preocupados com a inflação, mas também estavam tentando apoiar uma população que passava por uma pandemia.”