Powell, Lagarde, PIB da Europa, fim dos balanços e o que move o mercado

Bolsas sobem no mundo inteiro e dólar cai com volta de apetite ao risco no mercado internacional
Jerome Powell: presidente do Federal Reserve (Fed) (Bloomberg/Andrew Harrer)
Jerome Powell: presidente do Federal Reserve (Fed) (Bloomberg/Andrew Harrer)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 17/05/2022 07:14 | Última atualização em 17/05/2022 08:31Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O apetite ao risco dita os movimentos do mercado nesta manhã de terça-feira, 17. Bolsas de valores sobem no mundo todo, com altas beirando 2% na Europa e nos futuros americanos. O dólar, que vinha de forte alta nas últimas semanas, opera em direção oposta, recuando frente às principais moedas do mundo. Quem se fortalece nesta manhã é o euro, com sua maior apreciação em duas semanas. O rali para os títulos do Tesouro americano ganha uma nova pausa.

Além do menor ímpeto pelos títulos americanos, a surpresa positiva com o PIB da Zona do Euro contribui para a valorização da moeda do continente. Nesta manhã, o crescimento da economia europeia para o primeiro trimestre foi revisado para cima, passando de 5% para 5,1% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, a expansão foi de 0,2% para 0,3%. Dados do mercado de trabalho do Reino Unido também saíram melhores do que o esperado, com queda da taxa de desemprego de 3,8% para 3,7%.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia.

  • Veja a seguir o desempenho dos indicadores às 7h (de Brasília):

    • Hang Seng (Hong Kong): + 3,27%
    • SSE Composite (Xangai): + 0,65%
    • FTSE 100 (Londres): + 0,87%
    • DAX (Frankfurt): + 1,47%
    • CAC 40 (Paris): + 1,34%
    • S&P futuro (Nova York): + 1,75%
    • Nasdaq futuro (Nova York): + 2,12%
    • Petróleo Brent (Londres): + 1,06% (para US$ 115,45)
    • Índice dólar (DXY): - 0,41%

Agenda com Fed e BCE 

Nos Estados Unidos, investidores irão repercutir os dados de vendas do varejo e produção industrial, previstos para esta manhã. A expectativa é de que os números venham fortes. A aquecida atividade econômica do país, por sinal, tem dado o sinal verde para o Federal Reserve (Fed) apertar sua política monetária. O tema deve ser assunto do presidente do Fed, Jerome Powell, em evento do Wall Street Journal nesta tarde.

O discurso, previsto para às 15h, poderá mudar o humor do mercado, caso dê sinais sobre uma maior necessidade de juros mais altos. Em suas últimas declarações, Powell sinalizou que uma nova elevação de 50 pontos base na próxima reunião seria o suficiente. Parte do mercado, porém, espera um ritmo mais duro de alta.

"Parece que o no ciclo de aperto ainda está muito cedo para o Fed lutar contra as expectativas de aperto do mercado. O dólar pode estar um pouco mais forte amanhã, após as observações de Powell nesta tarde", afirmou a equipe de research do banco ING.

A terça também será marcada pelo discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde. Mas não é esperado uma mudança de tom em relação à maior cautela sobre a alta de juros. Investidores, porém, seguem à espera de quando os juros começarão a subir na Europa.

"As expectativas para as altas de juros do BCE ainda estão aumentando - onde 91 pontos base de aperto está cotado em comparação com 85bp na semana passada. O BCE vem gerenciando as expectativas de um aumento de 100bp nas taxas este ano. Isso pode ser preciso para entregar alguma estabilidade temporária ao euro", disse o ING.

Últimos balanços

No Brasil, o mercado irá reagir aos últimos balanços da temporada de resultados do primeiro trimestre. Entre os mais aguardados da última noite esteve o do Magazine Luiza. Assim como suas com seus concorrentes, o Magalu superou as expectativas de mercado para o período.

A varejista registrou Ebitda ajustado de R$ 434,2 milhões, acima do consenso de mercado da Bloomberg de R$ 376,2 milhões. A receita líquida superou as estimativas em cerca de R$ 160 milhões, ficando em R$ 8,76 bilhões. O resultado final, porém, foi negativo: o Magalu deu prejuízo líquido de R$ 161,3 milhões contra o lucro líquido de R$ 258,6 milhões do mesmo período do ano passado.

Nos Estados Unidos, quem divulgou balanço foi o Nubank. A fintech teve lucro líquido ajustado de US$ 10,1 milhões, revertendo o prejuízo líquido de US$ 11,9 milhões. As ações da companhia disparam 10% no pré-mercado americano.

Também reportaram balanços na noite passada Hapvida, GetNinjas, Itaúsa, Inter, Vibra, Espaçolaser, Hidrovias do Brasil e Helbor.