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Powell, ADP, CPI da Europa, PEC vai à CCJ, follow-on do Assaí e o que mais move o mercado

Bolsas internacionais avançam à espera de Powell e com CPI na fraco na Europa; mercado local mantém holofotes em Brasília

 (MANDEL NGAN/AFP via/Getty Images)

(MANDEL NGAN/AFP via/Getty Images)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 30 de novembro de 2022, 07h46.

Última atualização em 30 de novembro de 2022, 08h11.

Índices futuros de Nova York apresentam leve alta na manhã desta quarta-feira, 30, com investidores internacionais à espera do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em evento desta tarde em Washington. A importância de seu discurso terá um peso ainda maior desta vez, dado o tom mais contracionista de outros membros do Fed nos últimos dias. 

De olho no Fed e mercado de trabalho

No início da semana, sinalizações do presidente do Fed de Nova York, John William, de que o juro americano terá que permanecer mais alto até 2024 chegaram a provocar quedas no mercado americano. O discurso de Powell também será o último antes do payroll de novembro, que será divulgado já nesta sexta-feira, 2.

Apesar dos últimos dados da inflação terem saído mais suaves nos Estados Unidos, com o Índice de Preço ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) caindo para 7,7%, a força do mercado de trabalho ainda preocupa membros do Fed. O medo é de que a mão de obra escassa provoque aumento gerneralizados dos salários, retroalimentando a inflação local e dificultando o trabalho do Fed.

Dados da variação de empregos privados de novembro que serão divulgados nesta quarta pelo Instituto ADP poderão dar um sinal do que esperar para sexta-feira. Para hoje, o mercado espera que o ADP revele a criação de 200.000 novos postos privados, 39.000  a menos do que o registrado no mês anterior.

Inflação na Europa

Na Europa, onde a inflação segue acima da americana, investidores tiveram um suspiro nesta manhã, com o CPI da Zona do Euro voltando a sair abaixo do esperado. O principal indicador da inflação do bloco desacelerou pelo segundo mês seguido, recuando de 10,6% para 10% na no acumulado de 12 meses. A expectativa de economistas era de uma queda para 10,4%. Bolsas da Europa apresentam firme alta nesta manhã.

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Desempenho dos indicadores às 7h50 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): - 0,03%
  • S&P 500 futuro (Nova York): + 0,19%
  • Nasdaq futuro (Nova York): + 0,37%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,61%
  • DAX (Frankfurt): + 0,52%
  • CAC 40 (Paris): + 0,72%
  • Hang Seng (Hong Kong)*: + 2,16%
  • Shangai Composite (Xangai)*: + 0,05%

O ministro e as sinalizações fiscais

Apesar de toda a agitação no exterior nada tem chamado mais a atenção do mercado brasileiro do que as movimentações de Brasília. Por aqui, o foco de investidores segue dividido entre a tramitação da PEC da Transição e a expectativa de quem será o novo ministro da Fazenda.

Em meio às incertezas, sobram espaços para especulações. Os noticiários seguem apontando o ex-prefeito Fernando Haddad como favorito para assumir a pasta, mas bastou uma notícia diferente, do Poder 360, sobre a possibilidade de o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, ser o novo ministro da Fazenda para o mercado reagir positivamente.

Alinhado com o pragmatismo do mercado, Alckmin seria uma escolha elogiada pela Faria Lima. Mas notícia do Estado de S. Paulo desta manhã aponta que outros nomes também vêm sendo sondados para assumir a Fazenda, como o dos pestistas Rui Costa e Alexandre Padilha, com Haddad, neste caso, sendo direcionado ao Planejamento. Mais de que um nome, para o mercado, a escolha do ministro representa um sinal do que esperar para os próximos anos em termos de política fiscal.

As primeiras sinalizações foram negativas, com a minuta inicial da PEC de Transição estipulando um prazo indefinido para o Bolsa Família fora do teto de gastos. Após reações negativas tanto do mercado quanto de parlamentes, a proposta foi protocolada com o prazo de 4 anos e R$ 175 bilhões previstos extra-teto.

PEC vai à CCJ do Senado

Segundo a Veja, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já enviou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovada, a PEC será enviada ao plenário do Senado, onde precisará de três quintos dos votos para ser encaminhada à Câmara. Mesmo antes de chegar à casa, as alianças já vem sendo costuradas entre o novo governo e líderes do centrão para que o texto possa ser aprovado. O principal acordo, até agora, envolve o apoio do PT e de partidos de esqueda à reeleição do atual presidente da Câmara, Arthur Lira, (ex-) aliado do presidente Jair Bolsonaro.

Assaí (ASAI3): follow-on precificado

As ações do Assaí foram precificadas a R$ 19 em follow-on que marcou a redução da participação do Casino no negócio. O grupo francês vendeu 140,8 milhões na operação, que movimentou R$ 2,675 bilhões. A quantidade de ações poderia ter sido acrescida em até 35,2%, mas não foi dada a falta de demanda. Após a operação, o Casino passou a deter 28,43% do Assaí. Sua participação anterior de cerca de 40%.