Mercados nesta sexta, 24: se a tendência de queda se confirmar, a referência caminha para encerrar a semana em baixa mesmo em meio à extensão do cessar-fogo na guerra no Oriente Médio (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 24 de abril de 2026 às 10h44.
Após algumas sessões de realização mais intensa, o Ibovespa iniciou o pregão desta sexta-feira, 24, com viés de queda. Por volta das 10h40, o principal índice acionário da B3 recuava 0,60%, aos 190.293 pontos, após um tombo de 1,65% e 0,78%, nas últimas duas sessões. Se a tendência de queda se confirmar, a referência caminha para encerrar a semana em baixa mesmo em meio à extensão do cessar-fogo na guerra no Oriente Médio.
No mesmo horário, o dólar à vista registrava ligeira alta frente ao real, ao subir 0,35%, com a moeda americana cotada R$ 5,02. Na véspera, a divisa fechou acima dos R$ 5 depois de ter caído, há 11 dias, abaixo desse patamar pela primeira vez em mais de dois anos.
As negociações envolvendo Estados Unidos e Irã seguem em um impasse, com deterioração recente do ambiente diplomático. Sinais vindos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente por meio de declarações públicas e postagens, reduziram as expectativas de retomada do diálogo com Teerã.
Ao mesmo tempo, a manutenção do bloqueio naval aos portos iranianos reforça a postura mais dura de Washington, ampliando as incertezas geopolíticas.
Esse cenário se agrava com a continuidade das restrições no Estreito de Ormuz, ponto-chave para o fluxo global de petróleo. Na prática, o estreito permanece fechado, o que sustenta preocupações relevantes sobre a oferta da commodity e ajuda a explicar a forte valorização recente do Brent.
A referência internacional dos contratos de petróleo opera estável, contudo, com ligeira queda de 0,09%, com o barril a US$ 105. O WIT, usado nos EUA, cai 0,78%, a US$ 94,93.
A queda ocorre em meio à notícia, divulgada pela Reuters mais cedo, apontando que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deve chegar a Islamabad na noite de sexta com uma pequena equipe, e é provável que ocorram conversas de paz com os Estados Unidos, segundo uma fonte do governo.
A equipe de logística e segurança dos EUA já está em Islamabad para as negociações, acrescentou a fonte. Ainda não havia confirmação dos EUA da retomada das conversas.
Paralelamente, há desdobramentos no Oriente Médio que também influenciam o ambiente de negociação.
A prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas reduz, por ora, o risco de escalada imediata nesse eixo específico. Ainda assim, o conjunto de tensões regionais e a ausência de avanços concretos nas tratativas entre EUA e Irã mantêm o cenário global sensível, com impactos diretos sobre preços de energia, fluxos de capital e percepção de risco.
Diante da queda no petróleo, as ações das petrolíferas recuam, com destaque para as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), de peso na composição do índice, e que caem mais de 1%. Papéis de grandes bancos também recuam com exceção do Bradesco (BBDC4), que registra ligeira alta de 0,15%. As ações da Vale (VALE3) também operam estáveis com leve avanço de 0,13%.
Em Nova York, os principais índice abriram com desempenho misto. O Dow Jones recua 0,34%, enquanto S&P 500 sobe 0,24% e Nasdaq avança mais forte, 075%.
O cenário é de queda, porém, na Europa, com apenas a bolsa de Frankfurt estável, com ligeira alta de 0,09%. Na Ásia, apenas o Nikkei do Japão fechou com alta de 0,97%, contrastando com as demais bolsas da região.