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Por que lucro dos megabancos japoneses deve desacelerar após recorde

Mitsubishi UFJ, Sumitomo Mitsui e Mizuho registraram altas entre 30% e 41% no ano

Bancos no Japão: setor vive momento favorável com juros e crédito em alta. (GettyImages/Reprodução)

Bancos no Japão: setor vive momento favorável com juros e crédito em alta. (GettyImages/Reprodução)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 21 de maio de 2026 às 08h39.

Os maiores bancos do Japão encerraram o ano com lucros recordes, impulsionados por juros em alta, inflação de volta e maior demanda por financiamento corporativo. Analistas, porém, alertam que manter esse ritmo será difícil.

O Mizuho foi o que mais cresceu na comparação anual, com lucro subindo 41%. O Sumitomo Mitsui veio logo atrás, com alta de 34%.

Já o Mitsubishi UFJ, o maior banco do país, registrou lucro líquido de 2,4 trilhões de ienes, cerca de R$ 75,6 bilhões, crescimento de 30% sobre o ano anterior e o terceiro recorde consecutivo.

O que sustentou os resultados

As taxas de juros domésticas mais altas estão ampliando as margens de empréstimo e impulsionando a receita líquida de juros, segundo fontes consultadas pela CNBC.

A demanda por financiamento corporativo cresceu e a receita de tarifas também subiu, compondo um resultado que, na avaliação dos especialistas, tem caráter mais estrutural do que em ciclos anteriores.

O analista do UBS, Koichi Niwa, destacou que a atividade mais forte no atacado e no financiamento corporativo beneficiou os três bancos e ajudou a sustentar o interesse renovado dos investidores no setor.

A Nomura reforçou esse otimismo, afirmando que os megabancos ainda parecem subvalorizados diante da "força de seus lucros", e elege Sumitomo Mitsui e Mizuho como suas principais apostas no setor.

"O crescimento dos lucros provavelmente se moderará."Kaori Nishizawa, diretora de bancos da Fitch Ratings

Operações de fusões e aquisições (M&As, em inglês), grandes empréstimos corporativos e financiamentos no exterior exigem, no entanto, mais capital do que os empréstimos domésticos tradicionais na visão do UBS.

Mesmo com os lucros em alta, os bancos precisam alocar mais recursos para sustentar a expansão do balanço, observou Niwa.

Manter lucros vai ser difícil

A diretora de bancos da Fitch Ratings, Kaori Nishizawa, vê ainda que parte relevante dos ganhos recentes veio de itens não recorrentes, como ganhos de mercado e contribuições de aquisições.

"As taxas de câmbio mais altas do iene estão melhorando as margens de empréstimo e sustentando a receita líquida de juros, enquanto a demanda saudável por financiamento corporativo e a maior receita de tarifas estão contribuindo para o aumento da receita", disse.

"A sustentabilidade do crescimento dos lucros nos níveis atuais provavelmente será desafiada", acrescentou.

Nishizawa reforçou também que tudo isso dificulta manter os lucros no mesmo nível, visto que os bancos ainda enfrentam custos de crédito crescentes, maior pressão por depósitos e um ambiente externo desafiador.

Estimativas da Morningstar ilustram uma desaceleração. A diretora de pesquisa de ações na Ásia da Morningstar, Lorraine Tan, projeta que o crescimento do Mitsubishi UFJ caia para 5% a partir de 2027.

Para o Sumitomo Mitsui, a expectativa é que ele desacelere 9% até o ano fiscal de 2028. E o Mizuho deve sentir pressão semelhante nas margens a partir de 2027.

Oriente Médio pode impactar

O CEO do Mitsubishi UFJ, Junichi Hanzawa, admitiu em apresentação de resultados que uma escalada da guerra no Oriente Médio pode impactar negativamente o lucro do banco.

O Sumitomo Mitsui informou que parte dos riscos geopolíticos já está provisionada, mas que o monitoramento segue ativo. O Mizuho sinalizou que revisará suas projeções conforme o cenário externo evoluir.

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