Construtoras: ações sobem na B3 com expectativa de juros menores. (Imagem gerada por IA)
Repórter de Invest
Publicado em 30 de julho de 2026 às 16h44.
As ações das construtoras figuram entre os principais destaques de alta da B3 nesta quinta-feira, 30. O setor, um dos mais sensíveis ao custo do crédito, reage ao ambiente mais favorável para os juros no Brasil e no exterior, impulsionando papéis como Cury, Cyrela, MRV e Direcional.
Entre os destaques do pregão por volta das 16h25 (horário de Brasília), a Cury (CURY3) avançava 4,75%, para R$ 30,22, seguida pela Cyrela (CYRE3), que subia 4,09%, a R$ 21,62. A MRV (MRVE3) ganhava 3,05%, para R$ 4,73, enquanto a Direcional (DIRR3) registrava alta de 2,52%, cotada a R$ 11,37.
Mas o desempenho das empresas ao longo do ano segue desafiador. A Direcional cai 16,58% em 2026, enquanto a MRV recua 38,60% no período. Já Cury e Cyrela mantêm trajetória de queda nestes sete meses, com retrações de 4,06% e 9,81%, respectivamente.
A alta acompanha o fechamento da curva de juros, movimento favorecido por uma combinação de fatores internos e externos, segundo especialistas ouvidos pela EXAME.
Nos Estados Unidos, dados de inflação mais benignos reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter os juros estáveis por mais tempo. O recuo dos rendimentos dos Treasuries também aliviaram a pressão sobre os mercados globais.
No Brasil, indicadores recentes de inflação vieram abaixo do esperado, fortalecendo as apostas de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central. Para o gestor de portfólio da Atlas One Investimentos, Davi Khattar, o setor reage rapidamente às mudanças nessas expectativas.
"O setor de construção é bem sensível às variáveis macro como juros e inflação. Os dados de inflação mais benignos (...) e o Fed não subindo juros ontem abrem espaço para o ciclo de afrouxamento monetário continuar acontecendo por aqui e aliviam, por ora, as preocupações que estavam surgindo de pressão de custo no setor", destacou Khattar.
Os sinais recentes de desaceleração da atividade econômica também reforçam, na avaliação do gestor, a expectativa de novos cortes da Selic, melhorando o sentimento dos investidores com o setor.
Na avaliação do head de análise da GTF Capital, Artur Horta, o petróleo em queda também reduz a perspectiva para uma inflação elevada. Os contratos futuros do Brent recuam 1,37%, para US$ 86,88, e os do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caem 0,99%, a US$ 83,62.
O dólar também está apresentando uma forte retração no mundo inteiro, assim como a taxa de juros longa americana; e, "como o setor de construção é o mais correlacionado com esses juros longos, ele está operando hoje na bolsa em forte alta", pontuou Horta.
Embora a sessão seja positiva, o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, afirma que as incorporadoras seguem apresentando fundamentos sólidos, mas lembra que as expectativas para a Selic continuam sendo o principal fator para as ações.
Ele vê que as prévias operacionais do setor têm se mostrado positivas, com empresas saudáveis, gerando caixa e mantendo boas margens e rentabilidade, mas ponderou que alguns mercados, especialmente o segmento de média e alta renda em São Paulo, já mostram um ritmo mais lento de vendas.
Só que, caso a inflação continue surpreendendo positivamente, pode haver espaço para um cenário mais favorável. "O último IPCA-15 dessa semana veio muito bom, o que pode talvez trazer algum argumento para o Banco Central deixar em aberto algum corte de juros adicional ainda este ano", disse Saravalle.