JBS: empresa será listada nos EUA a partir de 11 de junho (Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 26 de maio de 2025 às 17h36.
Última atualização em 26 de maio de 2025 às 18h03.
Os acionistas da JBS (JBSS3) finalmente aprovaram sua listagem nos Estados Unidos na última sexta-feira, 23.
O movimento era amplamente aguardado pelo mercado, pela expectativa de que a entrada na Nyse possa atrair num novo perfil de investidor global e resultar num re-rating, trazendo a companhia para múltiplos mais elevados, mais próximo de concorrentes como a Tyson.
Apesar disso, nos últimos dois pregões, as ações da JBS na B3 tiveram baixa: de 1,23% e 4,05%, respectivamente, figurando hoje na segunda maior baixa do Ibovespa.
A queda reflete, em grande parte, uma questão técnica: a deslistagem da JBS na B3 deve retirá-la de fundos passivos, que seguem tanto a composição do Ibovespa quanto do IBRX-100.
Na avaliação do Santander, isso deve representar uma saída de R$ 550 milhões de fundos passivos – o equivalente a 2% do free-float e 1,1 dia de negociação da empresa na bolsa.
Relembrando: a partir de 11 de junho, a JBS será listada na Nyse e, por aqui, será negociada via BDRs, recibos de ações listados fora do Brasil e negociados na B3.
É uma questão temporária: “Não esperamos que a JBS seja incluída em índices globais/americanos mais amplos no curto prazo, o que também limita o potencial de entrada de capital nesse mesmo período”, apontam os analistas do Santander.
O banco vê um momento “incerto” para a inclusão no curto prazo da JBS em índices maiores. No entanto, acredita que a JBS deve continuar incluída nos índices MSCI LatAm e MSCI Brazil.
Apesar da pequena pressão de curto prazo, o Santander vê espaço para uma reprecificação das ações da JBS, que já está em curso, aponta o banco.
A ação está atualmente sendo negociada a 5,3x EV/Ebitda, ante uma média histórica de dez anos de 4,9x, durante o pico de lucros.
Ao converter os resultados para o padrão contábil americano, a empresa líder de proteína animal está sendo negociada a 6,1x, mais do que sua concorrente Pilgrim’s Pride, que negocia a 5,9x, mas bem abaixo dos 8,4x da Tyson — o que também indica que o desconto de valuation já está diminuindo, mas ainda há espaço para mais.
O Santander reitera sua recomendação de compra para as ações da JBS, com preço-alvo de R$ 58, um potencial de alta de 42,36% acima do último fechamento do dia 23 de maio.