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Por que as ações da Cosan caem mais nesta segunda?

Busca da resposta passa por relatórios dos bancos de investimento, que ainda esperam mais “visibilidade” para aporte na Vale

Cosan: Mercado segue com pé atrás sobre aporte na Vale e ações caem (Divulgação/Divulgação)

Cosan: Mercado segue com pé atrás sobre aporte na Vale e ações caem (Divulgação/Divulgação)

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Raquel Brandão

10 de outubro de 2022, 14h36

Quando anunciou que estava montando posição na Vale (VALE3), na tarde da última sexta-feira, 7, a Cosan (CSAN3) viu sua ação derreter - a empresa teve de soltar a informação no meio do expediente da Bolsa porque havia risco de vazamento de informações. Ao fim do pregão da sexta-feira, o recuo foi de quase 9%. Nesta segunda-feira, seguiu descendo a ladeira, com queda de 4,44% no começo da tarde. Mas por que o mercado está reagindo negativamente? 

Um dos caminhos para a resposta pode estar nos relatórios dos bancos de investimentos. O que estão pensando os analistas que fazem as recomendações das ações (o chamado sell side)?  

Foi um bom negócio? Para os analistas do Credit Suisse, “só o tempo dirá”. Se a operação vai agregar valor, dependerá de como a tese de investimento vai se desenrolar, explicam. No anúncio, a Cosan sinalizou que quer exercer influência na Vale e isso inclui assento no conselho. “Mas sua influência será limitada e, a nosso ver, não há sinergias claras entre os dois grupos”, escrevem os analistas. A recomendação do banco é de compra da ação, com preço-alvo de R$ 23. 

A equipe de análise do JP Morgan diz que a operação consolida a Cosan como uma gestora de portfólio, algo que o próprio grupo já se autointitulava. Considerando a operação “ousada”, a equipe diz que as duas as principais mensagens da administração foram a de ser um acionista ativo na Vale e a de não alavancar demais a empresa, somando-se ao fato de que a participação final na Vale dependerá da capacidade de vender outros ativos no tempo e pelo valor corretos. “Nossa visão para a Cosan é que até que tenhamos mais visibilidade sobre a contribuição da Cosan para melhorar a criação de valor da Vale, apenas o componente financeiro/ ‘valuation’ da transação deve reforçar algum aumento no desconto da holding”.  

“Os ativos da Vale são únicos, mas a contribuição de valor da Cosan para a Vale ainda não é tangível para nós. A Cosan é historicamente uma boa alocadora de capital. Mas achamos que onde eles agregam mais valor é nas aquisições com as quais têm sinergias claras ou contribuem para uma renovação operacional (a Rumo foi um bom exemplo disso).” Para os analistas do JP, o investimento, nesse primeiro momento, está mais relacionado às vantagens que a Cosan vê nas ações da Vale do que em algum sinergia estratégica. A recomendação para a ação da Cosan é neutra, com preço-alvo de R$ 24,50.

Os analistas do Itaú BBA também veem impacto limitado para a Vale no curto prazo, pois não esperam mudanças abruptas na estratégia da empresa ou na composição do conselho. "A Cosan não parece estar considerando a aquisição de uma participação adicional neste momento", acrescentam. O relatório não traz recomendação para a ação da Cosan.

Para a equipe do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame), o mercado levará um tempo para “digerir” a operação, mas “está no DNA” da Cosan esse crescimento para diferentes setores. “E aceitar isso é fundamental para entender a tese de investimento”, escrevem. “O negócio é mais um passo da Cosan em direção a setores com forte importância para a transição energética global, e a Vale oferece uma rara combinação de oportunidades de desbloqueio de valor no ciclo das commodities. Os desafios são muitos, mas vemos a Cosan como uma das poucas capazes de aproveitar essas oportunidades”, acrescentam. Eles ainda calculam que a Cosan pode receber até R$ 16 bilhões em dividendos em 2025 com a compra. O banco manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 39.