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Por que ações de construtoras estão subindo tanto hoje? Veja lista

Relatórios reforçam tese de crescimento em lançamentos, vendas e caixa no setor imobiliário com expectativas para o ciclo de corte de juros

Cury, Direcional e MRV: incorporadoras estão entre as maiores altas da bolsa (Germano Lüders/Exame)

Cury, Direcional e MRV: incorporadoras estão entre as maiores altas da bolsa (Germano Lüders/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 14h59.

Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 15h34.

As ações de incorporadoras imobiliárias operam em alta no Ibovespa nesta segunda-feira, 2, impulsionadas por uma combinação de recomendações recentes de corretoras e um cenário macroeconômico mais favorável ao setor. Papéis como Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3) e Cyrela (CYRE4) tinham altas de 6,25%, 5,81%, 2,85% e 2,27%, respectivamente.

O movimento reflete, de um lado, a melhora das expectativas para o ciclo de corte de juros. A perspectiva de queda das taxas reduz o custo do crédito habitacional, amplia a capacidade de financiamento das famílias e tende a destravar a demanda por imóveis — um gatilho direto para as ações do setor. Com juros mais baixos, o mercado volta a precificar crescimento de lançamentos, vendas e geração de caixa.

"A projeção do boletim Focus que saiu hoje cedo aponta o IPCA abaixo dos 4%. Essa trajetória de queda fortalece o discurso de corte de juros, prevendo uma Selic na casa dos 12 e pouco para o final do ano. Isso pode, inclusive, abrir espaço para um corte logo na primeira janela, agora em março", explica Daniel Teles especialista e sócio da Valor Investimentos.

Os analisa afirma que o setor imobiliário é altamente sensível às variações da taxa de juros, que afetam diretamente o custo de carregamento das posições. Segundo Teles, há um potencial relevante de aumento de receita nas incorporadoras que, neste momento, permanece represado pelo nível ainda elevado dos juros. A avaliação é que, assim que o ciclo de cortes começar, a reação do mercado tende a ser imediata — razão pela qual o momento atual é visto como oportuno para posicionamento, antes que a mudança seja efetivamente precificada.

Relatórios recentes têm reforçado a atratividade das incorporadoras, especialmente no segmento de baixa renda. Em relatório, Itaú BBA afirma que esse é hoje um dos nichos com fundamentos mais favoráveis dentro da construção civil, beneficiado pela previsibilidade de demanda e pela forte execução operacional.

Nesse contexto, o banco decidiu incluir a Cury em sua carteira recomendada, substituindo a Caixa Seguridade. Para o BBA, a incorporadora deve continuar se destacando pela consistência operacional e pelas elevadas taxas de crescimento de lançamentos observadas nos últimos anos. Outro ponto citado é a velocidade de vendas superior à dos concorrentes, fator que sustenta margens e previsibilidade de caixa.

A expectativa é que a companhia seja uma forte geradora de caixa em 2026. Aos preços atuais da ação, isso pode se traduzir em uma distribuição relevante de dividendos. O Itaú BBA estima um dividend yield em torno de 9% para a Cury no próximo ano.

Já um relatório da XP traz uma leitura construtiva sobre o setor imobiliário e mantém a Cyrela (CYRE3) como o principal nome entre as incorporadoras na chamada “Carteira Top Ações”. A análise, no entanto, vem acompanhada de um ajuste tático na alocação do papel.

A casa reduziu a exposição em Cyrela de 10% para 5% na carteira recomendada, em um movimento descrito como realização parcial de lucros. Mesmo com a redução de peso, a companhia segue como a principal escolha dos analistas no segmento de renda média e alta.

O relatório destaca que a Cyrela consegue operar esse mercado com eficiência superior à dos concorrentes, preservando margens e avançando em participação de mercado. Além disso, a empresa também oferece exposição ao segmento de baixa renda por meio da marca Vivaz e de suas joint ventures listadas, o que amplia a diversificação do portfólio.

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