Por que a WEG pode sair beneficiada da crise energética na Europa, segundo o Credit

Eficiência em motores elétricos pode ser trunfo da empresa brasileira; analistas esperam balanço sólido no 3º tri
Produção de motores da WEG: eficiência energética é diferencial da empresa (Germano Lüders/Exame)
Produção de motores da WEG: eficiência energética é diferencial da empresa (Germano Lüders/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 03/10/2022 às 15:04.

Última atualização em 03/10/2022 às 16:57.

A Europa enfrenta uma grave crise energética causada pela dependência do gás russo, cujo fornecimento tem sido cada vez mais limitado com a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia. A grande preocupação é a chegada do inverno, que costuma ser rigoroso no continente, exigindo grande quantidade de energia para aquecimento.

A União Europeia tem buscado alternativas para reduzir seu consumo de energia e é neste ponto que a WEG (WEGE3), especializada em soluções para máquinas elétricas, pode sair beneficiada segundo o Credit Suisse.

“A eficiência energética será uma parte significativa da solução — afinal, a energia mais barata e mais verde é a que não é utilizada. Acreditamos que a WEG será uma peça chave para isso”, afirmaram os analistas do banco, liderados por Regis Cardoso, em relatório.

A Comissão Europeia estima que existam 85 milhões de grandes motores elétricos em operação na UE, consumindo 65% a 70% de toda a energia usada na indústria. Na visão dos analistas, a WEG poderia se beneficiar da ampla adoção de motores elétricos mais eficientes. 

“Em todo o mundo, quase 45% de toda a eletricidade é consumida por motores elétricos. A adoção de sistemas de motores de alta eficiência pode reduzir o consumo global de eletricidade em até 10%. Em nossa visão, a WEG está bem posicionada para se beneficiar de uma transição global para motores mais eficientes”, avaliam os analistas.

Credit reduz preço-alvo para WEG

Apesar das boas perspectivas, o Credit Suisse reduziu o preço alvo para as ações da WEG de R$ 43 para R$ 41 por papel — o que ainda representa um potencial de valorização (upside) de 27,5%. A redução, segundo analistas, foi feita para acomodar um maior custo de capital, que subiu 0,9 ponto percentual (p.p.) na avaliação do banco, para 12,2%.

Ainda assim, as expectativas são positivas e a recomendação é de compra. O Credit espera um terceiro trimestre “sólido” para WEG, com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, alta de 30% na comparação anual e de 16% frente ao segundo trimestre.

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