Petrobras: ações da companhia avançam nesta quinta-feira, 22, em um pregão marcado por desempenho misto entre as petroleiras e forte valorização da bolsa brasileira (Agência Petrobras/Divulgação)
Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15h55.
Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 16h24.
Apesar da queda dos preços do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras avançam nesta quinta-feira, 22, em um pregão marcado por desempenho misto entre as petroleiras e forte valorização da bolsa brasileira.
Enquanto a estatal caminha na contramão da commodity, outras empresas do setor acompanham o recuo do petróleo e figuram entre as poucas baixas do dia.
Por volta das 15h, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiam 0,61%, enquanto os papéis preferenciais (PETR4) avançavam 0,33%. O movimento destoava do desempenho de outras companhias do setor.
No mesmo horário, a Brava Energia (BRAV3) liderava as quedas do Ibovespa, com recuo de 0,85%. A Prio (PRIO3) registrava baixa de 0,58%, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) caía 0,27%.
A queda dessas três petroleiras acompanha o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent, referência global, com vencimento em março de 2026, recuava 2,50%, cotado a US$ 63,60 às 14h55. Já o WTI, mais usado nos Estados Unidos, também com vencimento em março, caía 2,56%, a US$ 59,07 no mesmo horário.
Os preços da commodity recuam nesta quinta após duas sessões consecutivas de alta, à medida que investidores reagem a dados que apontaram aumento dos estoques de petróleo bruto e gasolina nos Estados Unidos na semana passada, além de reavaliarem as perspectivas de oferta e demanda.
O avanço da Petrobras ocorre em um dia de forte alta do mercado acionário brasileiro. O Ibovespa caminha para encerrar o terceiro recorde duplo consecutivo na sessão de hoje. Desde a abertura dos negócios, o principal índice da B3 saiu da faixa dos 171 mil pontos e atingiu a máxima histórica de 177 mil pontos. Perto das 15h, o índice subia 2,60%, aos 176.275 pontos.
O movimento é amplamente disseminado. Dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 75 operavam em alta e apenas cinco em queda. O impulso vem, principalmente, das chamadas blue chips — grandes empresas com peso relevante no índice — como Vale, bancos e a própria Petrobras.
Esse desempenho da bolsa brasileira ocorre em um contexto de rotação global de portfólios em direção a mercados emergentes. Enquanto o S&P 500 apresenta desempenho praticamente estável no acumulado do ano, ações de países emergentes têm registrado um rali expressivo, com reflexos diretos no mercado brasileiro.
Esse movimento tem favorecido ativos mais cíclicos e impulsionado a alocação de recursos nesses mercados.
Na prática, o próprio Ibovespa reflete essa dinâmica ao renovar máximas nominais e operar acima dos 170 mil pontos, superando, inclusive, parte das projeções traçadas para o índice no fim do ano. Analistas destacam que, apesar da perspectiva de maior volatilidade ao longo de 2026 — especialmente com a proximidade da eleição presidencial —, o fluxo para a bolsa brasileira tem sido consistente.
Um dos sinais desse movimento é o desempenho do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York. Ele é um fundo que replica o desempenho do índice MSCI Brasil, e uma opção para investidores estrangeiros se exporem à B3. O volume desse fundo tem se destacado entre os emergentes nas últimas sessões.
Nesta quarta-feira, 21, o EWZ subiu 4,16%, ficando atrás apenas do EWY, ETF que replica o mercado acionário da Coreia do Sul, que avançou 4,23%.
Segundo Renato Reis, analista da Blue3 Investimentos, o avanço da Petrobras em um dia de queda do petróleo está diretamente ligado ao movimento de fluxo para o Brasil. "Hoje, especificamente, o movimento está destoando. Enquanto a Petrobras sobe, o restante das petroleiras cai. Isso é muito por conta do movimento Brasil", afirma.
De acordo com o analista, quando a bolsa brasileira apresenta um desempenho tão forte, investidores estrangeiros que buscam exposição ao país acabam, necessariamente, comprando ações com peso relevante no índice, como é o caso da Petrobras, com mais de 10% de participação no Ibovespa, somando ordinárias e preferenciais.
"Se o gringo quer colocar dinheiro no Brasil para puxar a nossa bolsa, ele precisa, por tabela, comprar Petrobras, porque ela faz parte do índice. Sendo um dos principais nomes do Ibovespa, ela sobe junto", diz.
Reis ressalta que, nos últimos dias, o desempenho da Petrobras não foi muito diferente do observado em outras petroleiras. Mas a diferença observada nesta quinta está relacionada ao peso da Petrobras no índice. "Ela funciona como uma porta de entrada, uma espécie de proxy do Ibovespa".
Na mesma linha, João Braga, sócio-fundador da Encore Asset Management, afirma que o movimento do dia está ligado à continuidade das compras estrangeiras via índice. "O estrangeiro ainda está comprando o EWZ, comprando o índice. Quando compra o índice, compra Petrobras, bancos, Vale, sem olhar para o petróleo ou para valuation", afirma.
Segundo Braga, esse fluxo explica a força recente do Ibovespa e das grandes ações. Ele observa, no entanto, que começa a surgir um segundo movimento no mercado. "Depois dessa alta forte via índice, parece que agora o mercado começa a olhar para os nomes específicos, para empresas que ficaram para trás. Hoje, inclusive, as ações mais domésticas e de maior beta estão indo melhor do que o índice", diz.
Para o gestor, esse ajuste indica que, após a forte valorização puxada pelas blue chips, parte dos investidores começa a buscar oportunidades em outros papéis, enquanto o fluxo estrangeiro segue sustentando as ações de maior peso, como a Petrobras, mesmo em um dia de queda do petróleo.