Invest

Pop Mart sofre prejuízo bilionário com o fim da 'febre Labubu'

Investidores duvidam da sustentabilidade da companhia diante da dependência da coleção de brinquedos que se tornou fenômeno global

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 1 de abril de 2026 às 21h31.

Última atualização em 2 de abril de 2026 às 05h49.

Tudo sobrePop Mart
Saiba mais

As ações da Pop Mart registraram forte queda, pressionadas por dúvidas do mercado sobre a sustentabilidade do crescimento da empresa. O movimento ocorre após a divulgação dos resultados financeiros, que evidenciaram maior dependência do personagem Labubu.

Os papéis acumulam recuo superior a 30% em cinco sessões até terça-feira e cerca de 60% desde o pico histórico em agosto, eliminando aproximadamente US$ 33 bilhões em valor de mercado. A reação negativa reflete revisões de preço-alvo, aumento de posições vendidas e incertezas sobre a capacidade da companhia de repetir o desempenho de seu principal produto.

O Labubu chegou no limite? Ações da Pop Mart despencam

Em entrevista à Bloomberg, o analista Sammi Xu, do Deutsche Bank AG, explicou que a empresa enfrenta pressões relacionadas à queda nas vendas, aumento de estoques e revisões negativas de lucro.

“Não acreditamos que o mercado tenha considerado totalmente um cenário de longo período de baixa com margens muito menores”, afirmou.

Ancorada no hype

Labubu

Labubu: mercado reagiu mal à divulgação dos resultados de 2025. (Sawayasu Tsuji / Colaborador/Getty Images)

A popularidade global do Labubu impulsionou as ações da companhia, que chegaram a subir cerca de 300% desde o início de 2025 até o recorde alcançado em agosto. O movimento foi associado à expansão do chamado soft power, termo que descreve a influência cultural de um país oriental, no caso a China, em mercados ocidentais.

A série Monsters, liderada por Labubu, respondeu por cerca de 40% da receita total em 2025, ante 23% em 2024. Outras linhas, como Crybaby e Molly, apresentaram desempenho inferior ao esperado.

O giro de estoques aumentou 21% no período, alcançando 123 dias ao final de 2025. A empresa atribui o resultado à ampliação da presença internacional e à expansão da rede de lojas.

Nem mesmo recompras de ações têm alterado o cenário. A companhia investiu cerca de HK$ 1,3 bilhão em recompra desde março, enquanto os papéis passaram a ser negociados a 10,3 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica de 24 vezes.

Segundo Angus Lee, do Sparx Group, o desafio central está na capacidade de sustentar a narrativa de crescimento baseada em propriedade intelectual.

“O que diferencia a Pop Mart é a narrativa, seja o Labubu ou a próxima propriedade intelectual de sucesso, mas, no momento, essa história parece incerta”, pontuou o especialista à Bloomberg.

Estratégia de expansão e pressão do mercado

Pop Mart: loja da rede de brinquedos em Chongqing, na China. (Cheng Xin/Getty Images) (Cheng Xin/Getty Images)

A empresa tem ampliado o portfólio com novos personagens, como Skullpanda e Twinkle Twinkle, além de investir em colaborações com a Sanrio Co. e iniciativas ligadas à Copa do Mundo da FIFA. Há também planos para um filme em parceria com a Sony Pictures Entertainment Inc..

Apesar das iniciativas, investidores continuam cautelosos. Dados da agência S3 Partners indicam aumento de 16% nas posições vendidas após a divulgação do balanço financeiro, com 123 milhões de ações em operações de short selling, prática de venda a descoberto.

A analista Melinda Hu, da Bernstein, aponta risco de revisão negativa das expectativas. “Sinais de crescimento mais lento, normalização das margens ou desgaste da propriedade intelectual podem levar a uma compressão significativa dos múltiplos”, disse.

Acompanhe tudo sobre:Pop MartBrinquedos

Mais de Invest

Ibovespa fecha em leve alta com suporte de Petrobras; dólar segue abaixo de R$ 5

Petróleo entrou em 'ponto de ruptura' com bloqueio em Ormuz, diz consultoria

Petróleo se reaproxima dos US$ 100 a um dia do fim do cessar-fogo no Irã

Ações de psicodélicos disparam após ordem de Trump acelerar aprovações