Petróleo ultrapassa US$ 100 sem promessa saudita sobre produção

Um dólar mais fraco também ajudou a firmar os mercados de commodities
 (Bing Guan/Bloomberg)
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Julia Fanzeres e Alex Longley, da BloombergPublicado em 18/07/2022 às 14:45.

O petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100 depois que os sauditas se recusaram a fazer promessas sobre futuros aumentos de produção. Um dólar mais fraco também ajudou a firmar os mercados de commodities.

O West Texas Intermediate subiu até 4,9% para US$ 102,41, também impulsionado pelo sentimento geral de tomada de risco que reanimou os mercados como um todo. Ministros sauditas insistiram após a visita do presidente americano Joe Biden na semana passada que as decisões de política petrolífera seriam ditadas pela lógica do mercado e em conjunto com os aliados da Opep. O ministro do petróleo do Iraque disse à Bloomberg que vê o petróleo acima de US$ 100 para o resto do ano.

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Mas o rali do petróleo segunda-feira tem mais a ver com um dólar mais fraco e mercados de ações em alta, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial. “A Arábia Saudita não deu sinais de aumentos imediatos de produção, o que quer dizer que a liquidação da semana passada provavelmente foi exagerada”.

O petróleo caiu desde meados de junho, com preocupações sobre uma possível recessão que derrubou as commodities e corroeu os ganhos que se seguiram à invasão da Ucrânia pela Rússia. No entanto, Biden continua determinado a conseguir que a Opep adicione suprimentos para reduzir ainda mais os preços e ajudar a conter a inflação.

“Continuamos esperando um aperto ainda maior no mercado de petróleo que justifica preços mais altos”, disseram analistas do UBS, incluindo Giovanni Staunovo, em nota. “Após a reunião entre líderes dos EUA e da Arábia Saudita no fim de semana, soubemos que a Opep+ só abrirá as torneiras se as condições do mercado o justificarem.”

A Opep e seus aliados se reúnem em 3 de agosto. Os membros do cartel já concordaram em concluir a longa e gradual retomada das cotas de produção reduzidas durante a pandemia, e por enquanto não sinalizaram nada além disso.

Na Líbia, o primeiro-ministro Abdul Hamid Dbeibah disse que as exportações do país estão a caminho de uma retomada completa após meses de paralisações.

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