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Petróleo rompe US$ 100 pela primeira vez em semanas sob ameaça de Trump

Marinha dos EUA inicia cerco marítimo a portos iranianos após fracasso de negociações; Brent sobe 7,4% e WTI avança 7,6% em sessão de forte volatilidade

Estreito de Ormuz: ponto de passagem derrubou o cessar-fogo temporário.

Estreito de Ormuz: ponto de passagem derrubou o cessar-fogo temporário.

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 13 de abril de 2026 às 07h06.

A decisão do governo de Donald Trump de ordenar à Marinha dos Estados Unidos (EUA) que bloqueie o acesso marítimo ao Irã pelo Estreito de Ormuz fez os preços do petróleo dispararem nesta segunda-feira, 13.

  • O Brent, referência internacional, saltou US$ 7,03 — alta de 7,4% — para US$ 102,23 o barril, rompendo a barreira dos três dígitos pela primeira vez em semanas.
  • O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, seguiu o mesmo caminho, com valorização de US$ 7,31, ou 7,6%, a US$ 103,88.

O anúncio foi feito pelo presidente no domingo, 12, após seis semanas de conflito aberto com o Irã e o fracasso de negociações para encerrar a guerra, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Trump admitiu que os preços de combustíveis podem continuar pressionados até as eleições legislativas de novembro nos EUA.

O Comando Central dos EUA (Centcom) disse que a medida entra em vigor na manhã de hoje, com alcance sobre toda embarcação que entre ou saia de portos iranianos no Golfo Árabe e no Golfo de Omã.

Já a livre navegação em direção a portos de outros países não seria afetada. Mas a distinção, na prática, é de difícil fiscalização em uma das rotas marítimas mais movimentadas do planeta, indicaram relatos à agência.

Preços já antecipam o pior

Algumas variedades do petróleo bruto (crude) estão sendo negociadas em recordes históricos a cerca de US$ 150 o barril, com prêmios expressivos sobre os futuros, de acordo com dados consultados pela Reuters.

A analista Helima Croft, do RBC Capital Markets, avaliou à Reuters que uma convergência entre esses dois mercados pode ocorrer caso o bloqueio seja, de fato, posto em prática com embarcações militares.

Dados de rastreamento da LSEG, que a agência teve acesso, mostram que petroleiros já alteravam suas rotas para evitar o Estreito antes mesmo da entrada em vigor da medida.

Apesar disso, três superpetroleiros carregados cruzaram o canal no sábado, 12 — ao que tudo indica, as primeiras saídas do Golfo desde o início do cessar-fogo.

Cessar-fogo em xeque

A premissa central do cessar-fogo das hostilidades, segundo análise do banco SEB, era justamente a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego.

"O bloqueio anunciado pelos EUA representa uma admissão de que a premissa central do cessar-fogo (...) é insustentável por ora", avaliou o analista Erik Meyersson, da instituição, à Reuters.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu no domingo que qualquer embarcação militar que tentasse se aproximar da rota seria tratada como violação do cessar-fogo, com resposta "dura e decisiva".

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