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Petróleo pesa sobre Petrobras, mas Vale e Itaú seguram o Ibovespa

Oscilação reflete queda do petróleo no exterior e alta de ações de peso, após recorde do índice na véspera

Ibovespa nesta quinta: o principal índice da B3 opera próximo da estabilidade  (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa nesta quinta: o principal índice da B3 opera próximo da estabilidade (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 12h28.

Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 13h07.

O Ibovespa opera próximo da estabilidade nesta quinta-feira, 15, após renovar máximas históricas na sessão anterior. Desde a abertura do pregão, às 10h, o principal índice da B3 oscila entre leves altas e quedas, refletindo forças opostas entre a pressão das ações da Petrobras e o desempenho positivo de papéis de peso como Vale e Itaú.

Nesta quarta, 14, o Ibovespa encerrou em alta de 1,96%, aos 165.145 pontos, renovando tanto a máxima histórica de fechamento quanto a intradiária, impulsionado pela forte entrada de investidores estrangeiros em ações de empresas ligadas a commodities.

Hoje, porém, o movimento é mais cauteloso. Por volta das 12h25, o índice recuava apenas 0,03%, aos 165.095 pontos, praticamente estável.

O principal fator de pressão vem do setor de petróleo. As ações da Petrobras recuam em linha com o tombo da commodity no mercado internacional, diante do alívio nas tensões geopolíticas após sinalizações de que os Estados Unidos podem adiar uma investida militar contra o Irã.

Os papéis ordinários da estatal (PETR3), que figuraram entre as maiores altas do Ibovespa na quarta-feira, caíam 1,37%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) recuavam 0,97%. A queda se estende a outras companhias do setor.

A Brava Energia (BRAV3), a PetroReconcavo (RECV3) e a Prio (PRIO3) também operavam no campo negativo, acompanhando o movimento do petróleo no exterior.  O barril do Brent, referência internacional, recuava 4,33%, para US$ 63,64, enquanto o WTI caía 4,55%, negociado a US$ 59,20.

Na outra ponta, ações de grande peso na carteira do índice ajudam a limitar as perdas. Os papéis da Vale (VALE3), que respondem por mais de 11% da composição do Ibovespa, avançavam 0,33%, dando sustentação ao indicador.

O mesmo ocorre com o Itaú, cujas ações preferenciais (ITUB4), com cerca de 8,3% de participação no índice, subiam 0,96%.

Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, avalia que o movimento do Inovespa nesta quinta é de rotação setorial, com investidores realizando lucro em alguns papéis e direcionando recursos para outros, ajustando posições.

De acordo com o operador, não se trata de uma correção mais profunda nem de um sinal de reversão, mas de um ajuste de rota, em que o mercado "refina" suas apostas.

"Depois de renovar a máxima histórica e fechamento recorde, o movimento mais natural do mercado é um pouco de realização de lucros. O investidor que entrou antes no ralli aproveita os preços mais altos para reduzir ou zerar a posição e ajusta o risco antes do fim de semana também. Dá uma reequilibrada na carteira. Não é um movimento de aversão a risco, mas sim uma realização de lucros", disse Lage.

Varejo e Smartfit no radar

O mercado também repercute os dados de vendas no varejo, que vieram bem acima do esperado em novembro. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, divulgada mais cedo, o varejo restrito avançou 1% na comparação com outubro, antes a projeção de apenas 0,2%, após alta de 0,5% no mês anterior.

"Varejo acima do esperado, sinaliza a atividade econômica mais resiliente, reduz a probabilidade de cortes de juros mais rápidos e reforça um discurso de juros altos por mais tempo. Resultado prático, pressiona um pouco a curva de juros, pesa em setores sensíveis à taxa de juros, como construção, varejo, smallcap em geral, e limita a continuidade do ralli no curto prazo", afirmou o especialista da Valor Investimentos.

Hoje, porém, a derrubada dos preços do petróleo que pressionam principalmente as empresas de commodities e, por consequência, a bolsa brasileira. A maior alta do dia, até o momento, são as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que registram alta de 7,86%.

Lage aponta que a alta do papel pode ser vista como uma correção técnica, impulsionada por um fluxo de posicionamento. O MGLU, que estava com preço muito baixo, é sensível a qualquer sinal de estabilização nos juros, o que justifica o movimento para um patamar mais "saudável".

Já na ponta oposta, a queda do dia é liderada pelas ações da Smartfit (SMFT3), com queda de 8,70%. "A ação teve alta recente e um valuation esticado. A queda é vista como uma realização de lucro, um ajuste de risco e um ajuste fino no preço, não uma mudança estrutural", afirmou.

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