Mercados

Petróleo despenca com temor que recessão diminuirá demanda

Desde um pico depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, os mercados de petróleo enfrentam uma crise de liquidez, com as participações em contratos futuros no menor nível desde 2016 e preços propensos a oscilações

Por Bloomberg
Publicado em 22/06/2022 10:34
Última atualização em 22/06/2022 10:34

Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O petróleo despencou pela segunda vez em poucos dias com preocupações que uma desaceleração econômica global acabará prejudicando a demanda.

O West Texas Intermediate, petróleo de referência nos EUA, caiu até 6.7% para US$ 103,20 o barril. Os investidores estão preocupados com o impacto das taxas de juros dos EUA. Em audiência no Congresso americano marcada para quarta-feira, o presidente do Federal Reserve Jerome Powell será questionado sobre como vai conter a inflação mais alta em décadas. No Reino Unido, a alta de preços atingiu nova máxima de 40 anos.

Desde um pico depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, os mercados de petróleo enfrentam uma crise de liquidez, com as participações em contratos futuros no menor nível desde 2016 e preços propensos a oscilações desproporcionais. O WTI também caiu abaixo de sua média móvel de 100 dias na quarta-feira pela primeira vez desde janeiro, adicionando pressão técnica a um mercado já frágil.

Apesar da instabilidade do petróleo, que teve queda de 6,8% na sexta-feira, os mercados de combustíveis continuam apertados. O presidente dos EUA, Joe Biden, pedirá ao Congresso que aprove uma suspensão temporária dos impostos sobre a gasolina, segundo uma pessoa familiarizada com o plano, depois que o preço médio nos postos do país chegou a US$ 5 por galão este mês, com aumento de mais de 50% em 2022.

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O petróleo caminha para sua primeira perda mensal desde novembro à medida que as preocupações com uma desaceleração econômica ofuscam as consequências da guerra na Ucrânia e o aperto de oferta.

A gigante Exxon alertou esta semana que os mercados de petróleo podem permanecer apertados por anos, enquanto o Grupo Vitol, maior trading independente de petróleo do mundo, sinalizou o aumento da demanda por combustível na China. Ao mesmo tempo, margens crescentes dão às refinarias um incentivo para comprar cada barril de petróleo que podem.

“Influências macro mais amplas têm ditado a direção do preço do petróleo recentemente”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING em Singapura. “No entanto, fundamentalmente, o mercado ainda permanece construtivo. O mercado deve ficar apertado até o final do ano, enquanto no curto prazo as fortes margens das refinarias devem apoiar a demanda.”


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