Petróleo: mercado reage a avanço diplomático entre EUA e Irã (Anton Petrus/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 25 de maio de 2026 às 06h44.
Os preços do petróleo despencam mais de 5% nesta segunda-feira, 25, após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz.
Por volta das 6h13 (horário de Brasília), o barril do Brent para agosto caía 4,86%, a US$ 95,34, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, recuava 5,29%, para US$ 91,49.
O movimento ocorre depois de semanas de forte volatilidade e disparada das commodities em meio ao conflito no Oriente Médio e às restrições no tráfego marítimo da região.
Os mercados reagiram à informação de que Washington e Teerã chegaram a um acordo preliminar para reabrir o Estreito de Ormuz e ampliar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo, 24, em uma rede social, que o governo estadunidense não tem, porém, pressa para concluir o acordo definitivo.
Ele orientou seus representantes a conduzirem as negociações com calma e disse que "o tempo está a nosso favor", indicando que as sanções e restrições impostas ao Irã continuarão até a assinatura formal do entendimento.
Integrantes da Casa Branca esperam que o acordo seja fechado nos próximos dias, conforme relatos publicados pelo Axios.
Um alto funcionário do governo ressaltou que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já teria aprovado as bases do entendimento, embora pontos técnicos ainda estejam sendo negociados.
A perspectiva de retomada gradual da navegação em Ormuz reduziu o temor de um choque prolongado de oferta no mercado global de energia, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.
Marinheiros relataram que embarcações retidas no Golfo Pérsico já começaram a se deslocar em direção ao estreito na expectativa de normalização do tráfego no domingo.
A eventual estabilização dos preços da energia tende a aliviar pressões sobre combustíveis, transporte, alimentos e custos industriais, abrindo espaço para discussões sobre cortes de juros, disseram.
Apesar da forte queda, o economista de commodities da Capital Economics, Hamad Hussain, relatou ao WSJ que os danos à infraestrutura energética e à logística em Ormuz devem manter os preços do petróleo altos por mais tempo.
"Os preços só começarão a cair de forma mais consistente quando o equilíbrio entre oferta e demanda melhorar significativamente, o que provavelmente ocorrerá apenas em 2027", escreveu.Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) mostram que os estoques mundiais encolheram em cerca de 250 milhões de barris entre março e abril, no ritmo mais forte já registrado desde o início do conflito.
Embora o Irã tenha sinalizado disposição para reabrir Ormuz, o comando das Forças Armadas iranianas explicou que pretende assumir o controle da segurança da rota marítima "sem presença estrangeira".
O general Ali Abdolahi detalhou, em comunicado divulgado pela agência Tasnim, que o país responderá de forma "dura e infernal" a qualquer agressão externa, e reforçou que a nova configuração regional será conduzida sob a estratégia de um "Irã forte".
O memorando em negociação prevê a retomada gradual do fluxo marítimo, alívio parcial das sanções petrolíferas ao Irã, desbloqueio de recursos iranianos no exterior e extensão por 60 dias do cessar-fogo atual, de acordo com a imprensa internacional.
Ainda que o petróleo recue nesta sessão, parte do mercado acredita que os custos de frete, seguros marítimos e transporte devam demorar mais para voltar aos níveis anteriores à guerra.
Armadores e seguradoras ainda aguardam garantias concretas de segurança antes de normalizar totalmente as operações no Golfo Pérsico.
A Administração de Informação de Energia dos EUA projeta que, caso o fluxo marítimo em Ormuz aumente já em junho, o Brent pode encerrar este ano com média de US$ 89 por barril e cair para US$ 79 em 2027.
No início de 2026, a commodity era negociada perto de US$ 60.