Invest

Petroleira de Eike Batista, OGX estreou em ano recorde do barril

Petroleira conseguiu levantar R$ 6,7 bilhões no IPO em 2008, que foi considerado o maior da história do mercado brasileiro até aquele momento

Eike Batista: dono da OGX. (Douglas Engle/Bloomberg)

Eike Batista: dono da OGX. (Douglas Engle/Bloomberg)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de março de 2026 às 08h43.

Última atualização em 9 de março de 2026 às 08h45.

Lembra de junho de 2008? O preço do petróleo estava nas alturas e o assunto do momento era a chegada da petroleira brasileira do grupo do empresário Eike Batista, OGX, na bolsa de valores (B3). O clima era de total expectativa. O negócio foi gigante: a empresa conseguiu levantar R$ 6,7 bilhões logo em seu IPO, que foi considerado a maior da história do mercado brasileiro até aquele momento.

A estreia ocorreu em 13 de junho de 2008, com forte interesse de investidores e valorização das ações no primeiro pregão, em um momento que precedia o auge no ciclo de alta das commodities. As ações da OGX chegaram a representar quase 40% de todo o volume de dinheiro que rodou na bolsa naquele dia.

Em 11 de julho de 2008, o petróleo atingiria seu recorde histórico, com o barril do Brent chegando a cerca de US$ 147,50 e o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 147,27.

Havia um crescimento acelerado da economia mundial no período, aumentando a demanda por petróleo, especialmente em países emergentes como China e Índia. Essa corrida pela energia estimulava muitos projetos de exploração, inclusive no Brasil.

A OGX apareceu como a grande promessa privada para peitar a Petrobras, com um portfólio de 21 blocos e a promessa de que encontrariam reservas gigantescas. A empresa fazia parte do chamado grupo X, um conjunto de companhias criado pelo empresário Eike Batista que compartilhavam a mesma estratégia de negócios e identidade de marca.

A virada com a crise de 2008

Poucos meses depois, a crise financeira global de 2008 deu um choque no mercado e o preço do petróleo, que estava no topo, despencou para menos de US$ 40 no fim do ano.

A OGX ainda se beneficiaria da onda de investimentos no setor nos anos seguintes, mas as expectativas criadas em torno da produção de petróleo acabaram não se confirmando.

Aquele sonho do "mar de petróleo" não virou realidade, e a empresa começou a reconhecer que vários campos tinham produção muito abaixo do esperado em 2012.

Quando finalmente confessaram que os projetos não eram viáveis financeiramente, as ações derreteram mais de 90%, marcando o começo do fim para o grupo do Eike Batista.

Após o pedido de recuperação judicial em outubro de 2013, a OGX foi excluída do Ibovespa. Após passar por uma reestruturação e quase desaparecer, a empresa deixou a recuperação judicial em 2017. Já sem o controle de Eike Batista, ela mudou seu nome e código de negociação, para Dommo Energia (DMMO3).

Acompanhe tudo sobre:PetróleoGuerras

Mais de Invest

Uso da poupança recua, mas é ainda o lugar que brasileiro mais coloca dinheiro

Três em cada 10 dos brasileiros apostam em bets, mostra Anbima

Esta empresa trocou negócio de calçados para IA e ação cresceu 582%

Ações de software reagem após cair 25% em 2026 e dividem investidores em Wall Street