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Petrobras vende refinaria na Bahia por US$ 1,65 bilhão

A Rlam é uma das oito refinarias que a Petrobras colocou à venda, que somam juntas cerca de metade da capacidade de produção de combustíveis do Brasil
A companhia informou ainda que encerrou processo para a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, pois propostas apresentadas ficaram aquém da avaliação econômico-financeira da Petrobras (Exame/Germano Lüders)
A companhia informou ainda que encerrou processo para a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, pois propostas apresentadas ficaram aquém da avaliação econômico-financeira da Petrobras (Exame/Germano Lüders)
Por Karla MamonaPublicado em 08/02/2021 09:18 | Última atualização em 08/02/2021 09:18Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Mubadala Capital venceu disputa pela Refinaria Landulpho Alves (Rlam), da Petrobras, na Bahia, com uma oferta de 1,65 bilhão de dólares, informou a petroleira estatal em fato relevante nesta segunda-feira, na primeira conclusão para a venda de uma refinaria anunciada pela companhia.

A assinatura do contrato de compra e venda ainda está sujeita à aprovação dos órgãos competentes, ressaltou a companhia.

A Rlam é uma das oito refinarias que a Petrobras colocou à venda, que somam juntas cerca de metade da capacidade de produção de combustíveis do Brasil.

A companhia informou ainda que encerrou processo para a venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, pois propostas apresentadas ficaram aquém da avaliação econômico-financeira da Petrobras. Um novo processo competitivo será aberto para essa unidade.

A Reuters havia publicado em janeiro, com informações de fontes, que a companhia havia recebido propostas pela Repar, mas que os valores estavam baixos.

Já o processo de venda das demais refinarias --Refap, Reman, Rnest, Regap, Lubnor e SIX-- continuam em andamento, disse a Petrobras.

Corte de recomendação 

Analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação das ações da Petrobras para 'neutra', bem como o preço-alvo para 34 reais por papel, citando riscos relacionados à situação dos caminhoneiros no Brasil. No caso dos ADRs, o preço-alvo passou para 13 dólares.

"Embora a Petrobras controle o 'timing' de seus ajustes de preço do diesel, a situação com os motoristas de caminhão nos faz acreditar que esse 'timing' poderia não estar de acordo com as expectativas dos acionistas", afirmaram Vicente Falanga e Gustavo Sadka em relatório a clientes no domingo.

Eles estimam que os preços do diesel vendido pela Petrobras devem ficar na faixa de 2,12 a 2,30 reais por litro nos próximos meses, muito perto dos níveis anteriores à greve dos caminhoneiros em 2018. Na última semana de janeiro, a companhia elevou o preço a 2,12 reais por litro.

Com o Brent em 59 dólares o barril e o spread do diesel em 10 dólares por barril, os analistas calculam que a paridade exigiria um preço ao redor de 2,47 reais. Considerando o preço atual, eles estimam que a Petrobras deixaria "na mesa" anualmente 1,7 bilhão de dólares em fluxo de caixa do acionista

Caminhoneiros têm pressionado o governo com queixas sobre os preços do diesel e outras demandas, inclusive com uma ameaça de greve neste, mês, que acabou tendo pouca adesão.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro adicionou ruído no mercado ao prometer para a sexta-feira um anúncio sobre combustíveis, que, no final, se tratou de proposta sendo preparada pelo governo para mudar a cobrança do ICMS, imposto estadual, sobre os combustíveis.

Bolsonaro também reafirmou na sexta-feira que não interfere e que não pretende interferir na política de preços da Petrobras, declaração que foi endossada pelo presidente-executivo da petrolífera de controle estatal, o que repercutiu positivamente na ações.

Os papéis, porém, perderam fôlego após a Reuters noticiar que a empresa ampliou de três meses para um ano o prazo em que calcula a paridade internacional de preços dos combustíveis, informação que foi confirmada pela companhia após o fechamento do mercado.

Na sexta-feira, Petrobras PN chegou a recuar 1,7% no pior momento, depois de avançar 4,4% na máxima do dia. Fecharam em alta de 0,69%.

"Também tememos que esta situação desconfortável possa atrasar o processo de venda das refinarias e, portanto, dividendos futuros que são fundamentais para os investidores", acrescentaram os analistas do Bradesco BBI.

Nesse sentido, a Petrobras informou mais cedo nesta segunda-feira que o Mubadala Capital foi o vencedor no processo competitivo para a venda de sua Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, com uma oferta de 1,65 bilhão de dólares.

Além do 'downgrade', Falanga e Sadka também reduziram a estimativa para lucro da companhia em 2021 em 8% e os dividendos em 2022 em cerca de 400 milhões de dólares (ao redor de 6%).