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Petrobras teria impacto de US$ 9 bi no Ebitda com subsídio a combustíveis em 2023, estima Goldman

Banco analisou o que aconteceria com o balanço da empresa em caso de volta da Cide-Combustíveis a partir do próximo ano, já que não há garantias, até o momento, de que isenção do imposto será mantida

 (Montagem Andrei Morais/Shutterstock)

(Montagem Andrei Morais/Shutterstock)

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Karina Souza

2 de dezembro de 2022, 15h25

A volta dos impostos federais significa um gasto adicional de US$ 9 bilhões para a Petrobras em 2023. Esse é o ponto de partida para o relatório dos analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins, do Goldman Sachs, para tentar destrinchar o que deve acontecer com a petroleira a partir do próximo ano, em um estudo que vem na sequência da apresentação do plano de investimentos pela estatal. Para lembrar, a lei 194/2022 reduziu a zero as alíquotas da CIDE Combustíveis (bem como do PIS/Pasep e Cofins), num esforço do governo atual de reduzir os preços dos combustíveis. O efeito, entretanto, é válido apenas até o dia 31 de dezembro deste ano, o que tem despertado a insegurança de representantes do setor de distribuição de combustíveis para o planejamento do ano que vem. 

Olhando para esse cenário com profundidade, os analistas estimaram, mais do que quanto a petroleira teria de pagar, qual seria o efeito para o balanço da companhia caso ela arcasse com a manutenção dos preços dos combustíveis a fim de manter os patamares de preço vistos atualmente. Resumo da ópera: para reduzir o preço do diesel em 7% (o necessário para mantê-lo próximo ao visto hoje) e o da gasolina em 29%, a Petrobras teria um impacto de US$ 9 bilhões no Ebitda de 2023, ou de US$ 6 bilhões no fluxo de caixa, o que corresponde a 8% do valor de mercado da companhia.

Para chegar a esse resultado, o relatório usa como base a estimativa de consumo de 65 milhões a 45 milhões de metros cúbicos de gasolina e diesel para 2023, valor 13,4% acima do registrado em 2019, e assume que os impostos federais seriam de R$ 320/metro cúbico para o diesel e de R$ 650 por metro cúbico para a gasolina.

Como a editora Graziella Valenti apontou em matéria na manhã desta sexta-feira (2), a preocupação com os gastos em refinarias voltaram a assombrar os analistas -- e, no caso do Goldman Sachs, isso não é diferente. Recapitulando a história, durante a Operação Lava-Jato, em 2016, foram aprovados projetos de construção de refinaria com VPL negativo. Na conferência mais recente, a administração tentou desanuviar a cabeça dos investidores, afirmando que todos os projetos aprovados têm VPL positivo, mesmo em caso do preço do barril de petróleo chegar a US$ 20. Ainda assim, não divulgou qual seria o mínimo retorno esperado desses projetos.

O lado 'bom' nisso tudo é que a margem de refino da Petrobras, atualmente, está em níveis consideravelmente acima dos registrados em 2018 e 2019, o que abriria espaço para acomodar gastos extra com a manutenção dos preços dos combustíveis sem perda de margem. Para chegar a essa conclusão, os analistas estimaram a margem de refino de US$ 25/bbl. A redução dos preços da gasolina causaria um impacto negativo de US$ 6/bbl nas margens  (a fim de reduzir o preço do combustível em 29%) e para o diesel, a queda seria de US$ 4/bbl (para reduzir o preço final em 7%). Mesmo com esses dois efeitos, a margem de refino ainda seria praticamente o dobro da registrada entre 2018 e 2019, chegando a US$ 15/bbl.

Com base nesse cenário todo, o Goldman decidiu projetar quanto a Petrobras gastaria caso decidisse abastecer, sozinha, o mercado doméstico de diesel e gasolina. Isso geraria, nas contas dos analistas, uma demanda em Capex de US$ 15 bilhões a US$ 21 bilhões, em projetos que levariam até cinco anos para serem concluídos. Isso levaria, portanto, a uma despesa de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões por ano no segmento de refino, ou de 4% a 7% do valor de mercado da empresa.

Por fim, o banco manteve a classificação neutra para a Petrobras, de olho no aumento das incertezas sobre as políticas a serem adotadas nos próximos anos. A preocupação dos analistas é a de que o presidente eleito mude o foco de venda de ativos e de dividendos para novos caminhos de crescimento e prováveis subsídios aos combustíveis. 

“Embora a gente acredite que a atual governança corporativa em vigor oferece algum nível de status quo de curto prazo, a longo prazo, notamos que o recente governo eleito já declarou suas intenções de revisar as políticas da empresa”, afirmam os analistas.