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Petrobras tem maior lucro do setor, mas ação não lidera ganhos no ano

Estatal está no topo em lucro trimestral entre petroleiras globais, mas são outras companhias que mais avançam na bolsa

Equinor ASA: embora ocupe apenas a sexta posição em lucro líquido entre as petroleiras analisadas, com US$ 3,1 bilhões no trimestre — praticamente metade do lucro da Petrobras —, a companhia lidera o desempenho das ações no ano (Carina Johansen/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

Equinor ASA: embora ocupe apenas a sexta posição em lucro líquido entre as petroleiras analisadas, com US$ 3,1 bilhões no trimestre — praticamente metade do lucro da Petrobras —, a companhia lidera o desempenho das ações no ano (Carina Johansen/Bloomberg via Getty Images/Getty Images)

Publicado em 15 de maio de 2026 às 09h42.

A Petrobras voltou ao topo entre as maiores petroleiras globais em lucro trimestral, mas esse desempenho não foi suficiente para colocar suas ações na liderança do setor em 2026.

Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que a estatal brasileira registrou o maior lucro líquido entre companhias de petróleo e gás com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, no mercado acionário, a empresa aparece apenas na sexta posição em valorização das ações no acumulado do ano.

Com lucro líquido de US$ 6,25 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a Petrobras superou gigantes como Shell, Exxon Mobil e BP. O resultado colocou a companhia brasileira na liderança global do ranking de rentabilidade do setor.

Já os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) acumulam alta de 45,13% no ano, enquanto outras empresas do setor registraram valorização ainda maior.

Ações da Equinor ASA são as que mais cresceram

A norueguesa Equinor ASA lidera o ranking, com avanço de quase 63%, seguida pela pela canadense Imperial Oil, com 53,16%, que é acompanha de perto pela americana Marathon Petroleum, com 53% de alta até o fechamento desta quinta-feira, 14.

O contraste reforça uma dinâmica comum no mercado, de que o lucro elevado nem sempre se traduz automaticamente em a maior valorização das ações.

No caso da Equinor, por exemplo, embora ocupe apenas a sexta posição em lucro líquido entre as petroleiras analisadas, com US$ 3,1 bilhões no trimestre — praticamente metade do lucro da Petrobras —, a companhia lidera o desempenho das ações no ano.

No balanço do 1° trimestre, a empresa norueguesa atribuiu seus resultados a uma combinação de produção recorde, alta dos preços da energia e captura de ganhos com a volatilidade do mercado. A companhia registrou crescimento de 9% na produção e destacou ainda avanços em projetos ligados à transição energética e gás natural, incluindo o início da perfuração do campo de Raia, no Brasil.

Além disso, a Equinor reforçou sua política de retorno ao acionista, anunciando dividendos trimestrais e recompra de ações. A estratégia ajudou a impulsionar a percepção positiva do mercado sobre a companhia.

A Marathon Petroleum, segunda maior alta das ações em 2026, também teve um trimestre marcado por forte geração de caixa e foco em retorno de capital. A empresa reportou lucro líquido de US$ 511 milhões, revertendo o prejuízo registrado um ano antes.

O mercado reagiu positivamente à melhora operacional, ao avanço de projetos de expansão e à nova autorização de recompra de ações de US$ 5 bilhões anunciada pela companhia.

Já a Imperial Oil, terceira maior valorização do setor, registrou lucro líquido trimestral de US$ 940 milhões. Apesar da queda em relação ao mesmo período do ano anterior, a empresa foi beneficiada por preços mais altos das commodities e pela ausência de efeitos extraordinários negativos observados anteriormente.

Petrobras é a 6ª maior alta em termos de ações

No caso da Petrobras, a liderança em lucro foi influenciada não apenas pelo desempenho operacional, mas também pelo câmbio.

Segundo a Elos Ayta, a valorização do real frente ao dólar ajudou a elevar o lucro da estatal brasileira quando convertido para a moeda americana — referência utilizada nas comparações internacionais do setor. O dólar Ptax médio caiu de R$ 5,85 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 5,26 no mesmo período deste ano.

Em reais, porém, o lucro da Petrobras caiu de R$ 35,2 bilhões para R$ 32,6 bilhões na comparação anual.

O levantamento também destaca que a elevada produtividade dos campos do pré-sal continua sendo uma vantagem competitiva relevante da companhia brasileira. As tensões geopolíticas no Oriente Médio e a volatilidade dos preços do petróleo no fim do trimestre também contribuíram para sustentar os resultados das grandes petroleiras globais.

Mesmo sem liderar o desempenho das ações, a Petrobras ficou à frente de empresas como ExxonMobil, Chevron, Shell e BP no acumulado do ano na bolsa.

Confira o ranking de valorização das ações das petroleiras em 2026

  1. Equinor Asa (EQNR): +62,97%
  2. Imperial Oil (IMO): +53,16%
  3. Marathon Petroleum (MPC): +53%
  4. Suncor Energy (SU): +50,51%
  5. Valero Energy (VLO): +50,36%
  6. Petrobras (PETR4): +46,53%
  7. Eni Spa (ENI): +44,13%
  8. Canadian Natural Resources (CNQ): +40,46%
  9. Occidental Petroleum (OXY): +38,23%
  10. Phillips 66 (PSX): +32,91%
  11. EOG Resources (EOG): +29,50%
  12. Conocophillips (COP): +27,09%
  13. Exxonmobil (XOM): +26,96%
  14. Bp Plc (BP): +23,38%
  15. Chevron (CVX): +22,46%
  16. Shell Plc (SHEL): +13,88%

Ranking de lucro líquido do primeiro trimestre de 2026

  1. Petrobras: US$ 6,258 bilhões
  2. Shell: US$ 5,694 bilhões
  3. Exxon Mobil: US$ 4,183 bilhões
  4. BP: US$ 3,842 bilhões
  5. Occidental Petroleum: US$ 3,345 bilhões
  6. Equinor: US$ 3,106 bilhões
  7. Chevron: US$ 2,210 bilhões
  8. ConocoPhillips: US$ 2,183 bilhões
  9. EOG Resources: US$ 1,980 bilhão
  10. Suncor Energy: US$ 1,511 bilhão
  11. Eni: US$ 1,470 bilhão
  12. Valero Energy: US$ 1,263 bilhão
  13. Canadian Natural Resources: US$ 970 milhões
  14. Imperial Oil: US$ 676 milhões
  15. Marathon Petroleum: US$ 511 milhões
  16. Phillips 66: US$ 207 milhões
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