Invest

Petrobras pode cair na eleição, mas dividendo de 14% deve segurar a ação, diz BTG

Banco vê volatilidade, mas avalia que fundamentos e geração de caixa devem permanecer fortes

Petrobras: O banco mantém recomendação de compra para a ação e a considera sua principal escolha no setor de óleo e gás brasileiro. (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Petrobras: O banco mantém recomendação de compra para a ação e a considera sua principal escolha no setor de óleo e gás brasileiro. (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 09h09.

Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 09h37.

Priorizar nos meus resultados Google
RESUMO +

No atual ciclo eleitoral, o banco BTG Pactual avalia que as ações da estatal Petrobras podem sofrer com o risco político, sem deterioração dos fundamentos da companhia. O banco mantém recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 65 no Brasil e US$ 26 para os ADRs. Produção, custos e geração de caixa sustentam a perspectiva de dividendos.

A proximidade das eleições brasileiras costuma colocar a Petrobras no centro das discussões sobre risco político, e o atual ciclo eleitoral não é diferente. Mas, para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), uma eventual pressão sobre as ações da estatal não necessariamente virá acompanhada de uma deterioração dos fundamentos da companhia.

Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha afirmam que o principal debate para a Petrobras no ciclo eleitoral deve estar menos ligado à operação da empresa e mais à percepção de risco do mercado, que pode provocar oscilações relevantes no preço das ações.

O banco mantém recomendação de compra para a Petrobras e a considera sua principal escolha no setor de óleo e gás brasileiro. O preço-alvo é de US$ 26 para os ADRs negociados em Nova York e R$ 65 por ação no mercado local. 

Segundo o BTG, uma queda entre 10% e 15% nas ações levaria a Petrobras para um patamar de valuation considerado atrativo para muitos investidores. Em um cenário de correção de 15% a 20%, o retorno estimado sobre o fluxo de caixa ao acionista poderia chegar a cerca de 20% a 21,2% nos próximos 12 meses.

A tese do banco é que a Petrobras entra no período eleitoral em uma posição operacional mais forte do que em ciclos anteriores. O BTG estima um FCFE Yield (percentual do caixa pode ser distribuído ao acionista) de aproximadamente 14% para 2027.

No cenário-base, o banco projeta também um dividend yield (caixa que de fato é distribuído) próximo de 10% para 2027. 

Caso a ação sofra uma correção por causa do ambiente político, o retorno potencial em dividendos aumenta. Na simulação do banco, uma queda de 15% no preço elevaria o dividend yield dos próximos 12 meses para 14%, enquanto uma queda de 20% levaria o indicador para 14,8%.

Para o BTG, esse nível de remuneração pode funcionar como um fator de sustentação para o papel, "considerando premissas de geração de caixa essencialmente inalteradas”, afirmam os analistas. 

Apesar de períodos eleitorais trazerem volatilidade para as ações, principalmente pela percepção de risco sobre decisões futuras de gestão, política de preços e alocação de capital, o BTG avalia que os principais motores operacionais da companhia não devem sofrer mudanças abruptas no curto e médio prazo.

Fatores como investimentos (capex), custos operacionais, produção, política de preços de combustíveis e distribuição de capital devem permanecer relativamente estáveis, preservando a geração de caixa e os dividendos.

Nesse cenário, a variável mais sensível para o investidor seria o múltiplo atribuído à empresa, e não necessariamente sua capacidade operacional.

A avaliação do banco é que a Petrobras chega ao ciclo eleitoral com uma base operacional diferente de períodos anteriores, sustentada por produção acima das projeções, menor custo de extração, maior utilização das refinarias e balanço financeiro mais saudável. 

A melhor entre petroleiras globais

Outro ponto destacado pelo BTG é a comparação da Petrobras com grandes empresas internacionais do setor. Segundo as estimativas do banco, a estatal brasileira apresenta o maior FCFE Yield projetado para 2027 entre as companhias analisadas, com 14,5%.

Na comparação, aparecem empresas como Repsol (13,5%), Shell (12,3%), Eni (10,7%), TotalEnergies (9,2%), Chevron (9%) e ExxonMobil (7,8%).

O banco também aponta a Petrobras como líder em shareholder yield, indicador que mede o retorno total ao acionista, incluindo dividendos e outras formas de distribuição de capital, com 10,7% estimados para 2027.

Em uma simulação mais negativa, com aumento de despesas administrativas, maior custo de capital, investimentos adicionais e menor aderência dos preços de combustíveis aos valores internacionais, o BTG estima que a companhia ainda manteria um dividend yield médio próximo de 9% entre 2027 e 2028 — sendo 8,9% em 2027 e 9,2% em 2028.

O que pode mudar a percepção do mercado

Apesar da visão positiva, o BTG destaca que alguns pontos continuarão sendo acompanhados pelos investidores. Entre eles estão a disciplina de capital, a previsibilidade da política de preços, o ritmo de produção e decisões sobre investimentos fora do portfólio principal.

No cenário mais otimista, o banco estima que uma combinação de melhor execução operacional, maior previsibilidade de preços e controle de custos poderia elevar o preço-alvo para R$ 83 por ação. Já em uma projeção pessimista, o preço-alvo calculado pelo BTG seria de R$ 42. Texto colado

A eleição pode provocar oscilações no valor de mercado da Petrobras, mas a capacidade de geração de caixa da companhia deve continuar sendo o principal elemento observado pelos investidores.

Perguntas frequentes

Como as eleições podem afetar as ações da Petrobras? +

As eleições podem aumentar a percepção de risco político e provocar oscilações nas ações da Petrobras. Segundo o BTG Pactual, essa pressão deve atingir mais o valor atribuído pelo mercado à estatal do que seus fundamentos operacionais.

Qual é a recomendação do BTG Pactual para as ações da Petrobras? +

O BTG Pactual mantém recomendação de compra para a Petrobras e considera a estatal sua principal escolha no setor brasileiro de óleo e gás. O preço-alvo é de R$ 65 por ação no mercado local e US$ 26 para os ADRs negociados em Nova York.

Quanto a Petrobras pode pagar em dividendos em 2027? +

No cenário-base, o BTG Pactual projeta dividend yield próximo de 10% para a Petrobras em 2027. Segundo a simulação do banco, uma queda de 15% nas ações elevaria o indicador dos 12 meses seguintes para 14%, enquanto uma correção de 20% o levaria a 14,8%.

Por que o BTG considera a Petrobras mais forte neste ciclo eleitoral? +

Segundo o BTG Pactual, a Petrobras apresenta produção acima das projeções, menor custo de extração, maior utilização das refinarias e balanço financeiro mais saudável. O banco avalia que investimentos, custos, produção, preços dos combustíveis e distribuição de capital devem permanecer relativamente estáveis.

Como a Petrobras se compara às petroleiras internacionais? +

Segundo o BTG Pactual, a Petrobras tem o maior FCFE Yield projetado para 2027 entre as empresas analisadas, com 14,5%. A estimativa supera Repsol, com 13,5%, Shell, com 12,3%, e ExxonMobil, com 7,8%.

Quais fatores podem mudar a percepção do mercado sobre a Petrobras? +

O BTG Pactual aponta a disciplina de capital, a previsibilidade da política de preços, o ritmo de produção e os investimentos fora do portfólio principal como pontos de atenção. O banco calcula preço-alvo de R$ 83 no cenário otimista e de R$ 42 no pessimista.

Acompanhe tudo sobre:PetrobrasEleições 2026Petróleo

Mais de Invest

Ibovespa tem maior alta semanal em 6 anos e bate novo recorde de fechamento

Starlink, de Elon Musk, vai virar operadora no Brasil? Os riscos para Vivo e TIM

Ibovespa bate novo recorde intradiário e se aproxima dos 210 mil pontos

Ibovespa sobe e fica perto dos 210 mil pontos; dólar cai abaixo de R$ 5