O que move os mercados: escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com acusações mútuas de violação de cessar-fogo e incidentes no Golfo de Omã, eleva o temor de um conflito mais amplo (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 20 de abril de 2026 às 10h32.
O Ibovespa abriu em leve queda, mas virou para alta nos primeiros negócios desta segunda-feira, 20, e passou a rondar a estabilidade. Às 10h31, o principal índice da B3 avançava 0,46%, aos 196.355 pontos, puxado principalmente por ações ligadas ao setor de petróleo.
Já o dólar virou para leve queda frente ao real no mesmo horário em meio a um ambiente de maior cautela global, refletindo a aversão a risco que marca o início da semana. A moeda registrava ligeira variação queda de 0,16%, a R$ 4,976, ainda próximo da estabilidade.
Entre os destaques do pregão, as ações de petroleiras lideram os ganhos. Os papéis da Brava Energia subiam 2,86%, enquanto as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançavam quase 2% cada.
O movimento acompanha a forte alta do petróleo no mercado internacional. O tipo Brent, referência global, subia 4,30%, com o barril a US$ 94,21, enquanto os contratos de maio e junho do WTI avançavam quase 5%, negociados entre US$ 86 e US$ 87.
O cenário reflete um aumento claro da aversão a risco global, com o petróleo no centro da precificação dos ativos. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com acusações mútuas de violação de cessar-fogo e incidentes no Golfo de Omã, eleva o temor de um conflito mais amplo.
A apreensão de um navio iraniano por forças americanas e ataques a embarcações intensificaram o risco geopolítico, reacendendo preocupações sobre um possível fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o fluxo global de petróleo.
O conflito, que também envolve Israel, segue no radar a dois dias do prazo para o fim do cessar-fogo. O Irã já sinalizou que pretende responder às ações americanas, enquanto as negociações diplomáticas seguem travadas. O ambiente é de elevada volatilidade, com investidores atentos a qualquer sinal de escalada ou distensão.
No exterior, o comportamento das bolsas foi misto. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,60%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,44%.
Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,77%, e, na China, os índices Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,76% e 0,68%, respectivamente, impulsionados por ações de tecnologia e empresas ligadas à inteligência artificial.
Já na Europa, o sinal é negativo, pressionado justamente pela alta do petróleo e pelos riscos geopolíticos. O índice Stoxx 600 recua 1,07%, enquanto o DAX, de Frankfurt, cai 1,37%. Em Londres, o FTSE recua 0,71%, e o CAC 40, de Paris, perde 1,17%. A bolsa de Milão (FTSE MIB) também registra queda de 1,39%.
Nos Estados Unidos, os futuros de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq apontam para abertura em baixa, com recuos de 0,41%, 0,34% e 0,24%, respectivamente, reforçando o tom de cautela global diante do avanço das tensões no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia e a inflação.