A queda do índice é puxada principalmente pelos papéis de grandes bancos, que voltam a pressionar o Ibovespa (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 12h28.
Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 12h34.
O Ibovespa recua nas primeiras horas de negociações desta terça-feira, 13. Perto das 12h30, o principal índice acionário da B3 estendia as perdas da sessão passada ao cair 0,76%, aos 161.912 pontos.
Nesse horário, a maior parte das ações operava em queda. Dos 84 papéis que compõem a referência acionária, 65 estavam em baixa, 14 estáveis e apenas 5 em alta.
O clima segue de cautela, influenciado por fatores locais e internacionais. Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o mercado abriu "um pouco mais pesado", à espera da divulgação do CPI, principal indicador inflacionário nos Estados Unidos, e ainda reagindo à disputa política em torno do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Segundo ele, pesa menos a investigação em si e mais a possibilidade de enfraquecimento da independência da autoridade monetária americana, a depender do nome que venha a ser indicado para a presidência do Fed. Esse risco, diz Cima, adiciona incerteza à precificação dos juros e mantém os investidores mais avessos ao risco.
No Brasil, o analista também cita a influência de pesquisas eleitorais recentes e o ambiente político ainda indefinido, além do aumento das tensões geopolíticas, que envolvem desde o Oriente Médio até a política externa dos Estados Unidos. "O mundo parece um pouquinho mais tenso aqui nesse começo de 2026", afirmou o analista da Manchester Investimentos.
A queda do índice é puxada principalmente pelos papéis de grandes bancos, que voltam a pressionar o Ibovespa e estendem as perdas da sessão anterior, apesar do desempenho positivo dos papéis de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4).
De acordo com Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, o setor financeiro opera majoritariamente no vermelho diante dos receios com a temporada de resultados dos bancos nos Estados Unidos e das possíveis implicações para o setor financeiro global.
Soma-se a isso a incerteza em relação à trajetória dos juros, o que reforça a busca por posições de menor risco. "Como bancos têm peso relevante no índice, seu desempenho fraco acaba puxando o Ibovespa para baixo em conjunto com esse sentimento mais avesso ao risco", afirmou Belitardo.
No campo das baixas, a maior queda do dia é registrada pelas ações da Hapvida (HAPV3), que recuam 8,19%. A operadora de saúde anunciou nesta terça Alain Benvenuti como novo vice-presidente comercial.
Para os analistas do Bradesco BBI, a nomeação representa mais uma "reviravolta" na companhia, já que Benvenuti havia renunciado ao cargo de diretor operacional há menos de um mês. Segundo o banco, as mudanças frequentes na gestão geram ruído no mercado, embora a volta do executivo seja vista como positiva para o negócio.
Na avaliação do gestor da Hike Capital, porém, a queda do papel não está diretamente relacionada à nomeação anunciada hoje. Para ele, o movimento reflete um contexto mais amplo de forte volatilidade e desempenho fraco da ação ao longo do ano, marcado por instabilidade na gestão e resultados passados decepcionantes, o que reduz o apetite dos investidores.
Em 2025, as ações da Hapvida acumulam desvalorização de quase 56%, a segunda maior queda do Ibovespa no período.
"Mudanças executivas recentes na companhia foram anunciadas ao longo de dezembro passado e tratam de uma transição da liderança em 2026, mas não há evidência de que a nomeação de um vice-presidente comercial hoje tenha sido o gatilho para a queda intradia, a reação reflete mais o cenário de precificação do ativo e incerteza continuada sobre a recuperação operacional e resultado futuro da empresa", disse.
Já no lado das altas, tanto as ações preferenciais como as ordinárias da Petrobras lideram as altas do dia.
"As petrolíferas aparecem no campo positivo porque o preço do petróleo tem mostrado resiliência no mercado internacional e contratos futuros do Brent e WTI estão em alta, o que tende a favorecer ações do setor de energia mesmo em um dia de Ibovespa mais fraco do que o restante do mercado", afirmou Belitardo.