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Petrobras (PETR4) anuncia mais de R$ 500 bilhões em investimentos para os próximos 5 anos

Plano, que prevê gasto médio de R$ 2 bilhões por semana, prevê manutenção de paridade de preços e desinvestimentos para ser autofinanciável

Plataforma da Petrobras: US$ 20 bilhões irá para afretamentos de novas plataformas (Germano Lüders/Exame)

Plataforma da Petrobras: US$ 20 bilhões irá para afretamentos de novas plataformas (Germano Lüders/Exame)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

1 de dezembro de 2022, 09h21

A Petrobras (PETR4) anunciou na última noite seu plano estratégico para o quinquênio de 2023 a 2027, com previsão de quase US$ 100 bilhões (R$ 520 bilhões) em investimentos no período. O montante é equivalente a cerca de R$ 2 bilhões por semana. A maior parte será destinada ao setor de Exploração e Produção (E&P), que receberá US$ 64 bilhões, sendo 67% para o pré-sal. Desse montante, US$ 6 bilhões irá para a exploração de novas oportunidades, sendo 50% na Margem Equatorial.

A área édo pré-sal  considerada crucial pela companhia devido ao baixo custo de exploração, sendo viável mesmo com o preço do petróleo em baixa. Pelas projeções da Petrobras, a curva de produção de óleo e gás indica um crescimento contínuo para o período de 2023 a 2027, mesmo considerando eventuais desenvestimentos. A expectativa da Petrobras é de que o pré-sal represente 78% de sua produção total até 2027.

A meta de produção total para 2023 foi mantida em 2,6 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A projeção da companhia considera a entrada de 18 novas plataformas no período, sendo 11 afretadas, 6 próprias e uma não operada. Do total dos investimentos, US$ 20 bilhões será gasto em afretamento de novas plataformas.

Excluído os gastos com novos afretamentos, os investimentos previstos para os próximos anos são de US$ 78 bilhões, 15% superior ao previsto no plano estratégico anterior.

Mais refino

Para a parte de refino e gás natural, a Petrobras projeta a injeção de US$ 9,2 bilhões no quinquênio, com cerca de 50% dos recursos destinados à expansão e aumento da qualidade e eficiência do refino. "O plano prevê investimentos em oito novas unidades de processamento, além de seis obras de adequações de grande porte em unidades já existentes", afirmou a companhia. Os projetos, segundo a Petrobras, devem elevar sua capacidade de produção de diesel em 300 mil barris por dia e sua capacidade de processamento e conversão do refino em 154 mil barris por dia.

Na frente de infraestrutura logística e comercialização são esperados investimentos de US$ 1,6 bilhão, que serão destinados para a redução de escoamento de produtos e de índices de emissão de frota e para otimização de estoque.

Manutenção da paridade de preços e financiabilidade

O plano de investimento, segundo a Petrobras, é autofinanciável. Mas para isso, foram estabelecidas algumas premissas. Entre elas, está a manutenção de "preços competitivos, alinhados ao mercado internacional". A política de paridade de preços, porém, tem sido alvo de ataques políticos de todos os lados. Durante o governo de Jair Bolsonaro, três presidentes da Petrobras chegaram a ser demitidos em meio às pressões sociais contra a política de paridade de preços. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, também já se posicionou contra a política de preços.

Entre as premissas de financiablidade do plano estratégico ainda está a política atual de distribuição de dividendos, que já foi alvo de ataques do Partido dos Trabalhadores. Para arcar os custos dos investimentos, a Petrobras também prevê preço médio do petróleo brent a US$ 75 e câmbio médio de dólar a R$ 5 para o período.

Desinvestimentos de US$ 10 a US$ 20 bilhões

A Petrobras também prevê arrecadar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em desvinvestimentos no período. A venda de ativos, segundo o plano, "contribuirá para melhorar a eficiência operacional, o retorno sobre o capital e a geração de caixa adicional para realização de novos investimentos mais aderentes à estratégia da companhia".