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Pesquisa mostra CFOs menos otimistas e preocupados com juros altos

Índice de confiança dos diretores financeiros sofreu retração no último levantamento

CFO: índice de confiança cai ligeiramente no 4T25 (Thinkstock)

CFO: índice de confiança cai ligeiramente no 4T25 (Thinkstock)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O tom de otimismo entre os diretores financeiros visto no terceiro trimestre de 2025 não se manteve. O Índice de Confiança do CFO (iCFO) no quarto trimestre foi de 126,5 pontos, uma ligeira queda frente aos 126,9 registrados no período anterior e mantendo um patamar inferior ao atingido em 2024.

O indicador, do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-SP) em parceria com a Exame Saint Paul, registrou queda muito puxada pela confiança em empresas. Esse recorte (iCFOe) ficou em 129,4 pontos, uma diminuição de 3,1 pontos percentuais (p.p.) em relação ao terceiro trimestre de 2025.

Já o índice de confiança em relação à macroeconomia (iCFOm) apresentou aumento de 0,7 p.p. em comparação ao trimestre passado, chegando a 120,5 pontos. O índice referente ao setor (iCFOs), alcançou 129,5 pontos, apresentando leve aumento de 0,9 p.p. se comparado ao período anterior.

Os juros – nos atuais patamares de 15% – são a terceira maior preocupação dos CFOs (11,6%). Em primeiro lugar, aparece a competitividade e atuação da concorrência, mencionada por 13,2% dos respondentes, e em segundo, a demanda do mercado interno, mencionada por 13,2% dos respondentes.

Investimento em IA não está no radar

Os planos de investimento das empresas permanecem pulverizados. Três em cada dez CFOs indicam intenção de investir em tecnologia da informação (TI) nos próximos 12 meses, mantendo uma tendência observada desde 2016. Em seguida, aparecem os aportes em ampliação da capacidade instalada, citados por 18,1% dos executivos.

E para a surpresa, entre os que planejam investir em TI, 49% afirmam que menos da metade do orçamento será destinado a soluções de inteligência artificial e Big Data, enquanto 33% não incluem esse tipo de investimento. Apenas 18% dos respondentes preveem alocar metade ou mais dos recursos em IA e análise de dados.

A pesquisa também aponta um dado preocupante: 88% dos CFOs não preveem aquisições de startups ou hubs de inovação nos próximos 12 meses. O resultado sugere uma pausa nas apostas em inovação mais disruptiva, mesmo diante da importância dessas iniciativas para o crescimento econômico sustentável.

Do lado do emprego, as notícias também não são tão animadoras. A expectativa de redução aumentou em 1 p.p., para 23%, e a expectativa de manutenção do quadro diminuiu na mesma medida, com 45% de representatividade. Entretanto, há estabilidade quanto à expectativa de aumento de funcionários e terceirizados, com 32% de representatividade, se comparada ao mesmo período de 2024.

No terceiro trimestre de 2025, 41% dos CFOs esperavam aumentar o quadro de funcionários e terceirizados até meados de 2026. Já a fatia de redução era de 21%.

A escala de pontuação do iCFO, colhida trimestralmente desde 2016, vai de 20 a 180, sendo 100 pontos o nível que representa a neutralidade das expectativas dos CFOs com relação aos próximos 12 meses.

O limite inferior da escala do índice, de 20 pontos, indica o maior nível de pessimismo; enquanto o limite superior da escala, de 180 pontos, indica o maior nível de otimismo do CFO em relação às expectativas para os próximos 12 meses.

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