PEC de R$ 41 bi fora do teto, bolsas no vermelho e o que mais move os mercados

Mercados internacionais buscam recuperação após pior EUA enfrentar pior semestre desde 1970 na bolsa
 (Paulo Whitaker/Reuters)
(Paulo Whitaker/Reuters)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 01/07/2022 às 07:12.

Última atualização em 01/07/2022 às 07:54.

As bolsas globais iniciam o segundo semestre na mesma toada negativa que marcou os primeiros seis meses do ano. Nesta sexta-feira, 1, as quedas foram generalizadas na Ásia, onde os mercados já fecharam, e os índices americanos devem acompanhar a tendência. Os futuros nos EUA operam em baixa após o pior semestre desde 1970

Investidores ainda estão apreensivos com a inflação e a consequente elevação de juros dos bancos centrais. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevou a taxa em 0,75 ponto percentual em junho, no maior ritmo de aperto monetário em quase 30 anos. O temor é que as medidas, em última análise, causem uma recessão global.

Na Europa, por outro lado, os mercados passam por correção para cima, mas ainda sem um catalisador positivo que sustente o movimento. O preço do petróleo, que também foi afetado negativamente pela ameaça de recessão, hoje acompanha a Europa e tem uma sessão de alívio na contramão dos temores.

Desempenho dos indicadores às 7h (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): - 0,10%
  • S&P 500 futuro (Nova York): - 0,07%
  • Nasdaq futuro (Nova York): - 0,18%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,47%
  • DAX (Frankfurt): + 0,57%
  • CAC 40 (Paris): + 0,42%
  • Hang Seng (Hong Kong): - 0,62%
  • Shangai Composite (Xangai): + 0,32%
  • Petróleo Brent: + 1,67%, a US$ 110 o barril

O Ibovespa, influenciado pelas perdas internacionais, encerrou junho em forte queda de 11%. Para esta sexta-feira, 1, o mercado pode continuar pressionado pelo pessimismo no exterior e deve repercutir ainda a principal fonte de preocupação interna: o risco fiscal.

Aprovação de PEC libera gastos fora do teto

O Senado aprovou na noite de ontem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dribla a lei eleitoral e permite R$ 41,25 bilhões de novas despesas fora do teto de gastos. A medida vem sendo mal recebida pelo mercado, que teme o descontrole das contas públicas.

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Inicialmente chamada de PEC dos Combustíveis, a proposta aumenta o auxílio-gás, cria um auxílio-gasolina para taxistas, amplia o valor e zera a fila do Auxílio Brasil e prevê um “voucher” de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos, que tem sido chamado de “Pix Caminhoneiro”.

A criação de benefícios sociais é vedada em ano eleitoral. Para contornar a vedação, deve  ser decretado o estado de emergência no país, que permite exceções à regra.

Indicadores

Às 8h, a FGV divulga a inflação ao consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor. A expectativa de agentes do mercado é de alta de 0,71% segundo pesquisa da Bloomberg, frente a um avanço de 0,76% na leitura passada. A balança comercial mensal de maio também será divulgada nesta sexta, às 15h.

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