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Azul: Passagem mais cara puxa receita recorde no 2º tri, mas Selic e alta do dólar corroem balanço

Companhia registra prejuízo líquido ajustado de R$ 721,4 milhões; empréstimos e arrendamentos feitos em moeda estrangeira afetam resultado
Azul: prejuízo líquido foi de R$ 2,62 bilhões (Shutterstock/Shutterstock)
Azul: prejuízo líquido foi de R$ 2,62 bilhões (Shutterstock/Shutterstock)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 11/08/2022 às 09:52.

Última atualização em 11/08/2022 às 11:23.

Preços mais altos de passagens áreas pelo aumento do preço dos combustíveis impulsionaram a receita líquida da Azul (AZUL4), que fechou o segundo trimestre em nível recorde de R$ 3,92 bilhões. O montante representou um crescimento anual de 130%.

Foram transportados 6,858 milhões de passageiros, 52,9% a mais que no segundo trimestre de 2021. Já a receita de passageiros por assentos-quilômetros oferecidos (PRASK) cresceu 57,3%, enquanto a tarifa-média, 64,2%.

Os preços mais altos foram um dos reflexos da valorização do petróleo, que impulsionou o preço dos combustíveis no segundo trimestre.

As despesas da Azul com combustível de aviação saltou 178% para R$ 1,698 bilhão, sendo o aumento por litro de 80,9%. A alta, de acordo com a empresa, foi compensada pelo uso de aeronaves maiores e mais eficientes no uso de combustível. A média de assentos por aeronave ponderada pela decolagem cresceu 11% em relação ao segundo trimestre de 2019, antes da pandemia.

Para atender a maior demanda por passageiros, também cresceram as despesas com salários, tarifas aeroportuárias e prestação de serviço de tráfego. As despesas operacionais totalizaram um aumento de 80,2% para R$ 3,788 bilhões.

A companhia encerrou o período com lucro bruto de R$ 136 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 400 milhões do ano anterior. O Ebitda, que foi de negativo em R$ 50,9 milhões no segundo trimestre de 2021, se tornou positivo em R$ 614 milhões. O saldo final, no entanto, foi negativo.

Prejuízo no 2º trimestre

Pressionada pelo resultado financeiro, a Azul teve prejuízo líquido ajustado de R$ 721,4 milhões, 39% menor que no mesmo período do ano passado. O prejuízo líquido, sem o ajuste por despesas com debêntures conversíveis, foi de R$ 2,62 bilhões frente ao lucro líquido de R$ 1,07 bilhão do segundo quarto de 2021.

O resultado financeiro líquido, excluindo os efeitos das debêntures conversíveis, foi negativo em R$ 2,76 bilhões. A perda de R$ R$ 2 bilhões com perdas cambiais foi fator determinante. No segundo trimestre do ano passado, o saldo neste mesmo instrumento foi positivo em R$ 2,3 bilhões.

A Azul atribuiu a piora à depreciação de 10,6% do real frente ao dólar no final do trimestre, aumentando o valor dos empréstimos e passivos de arrendamento contratados em moeda estrangeira.

A despesa financeira líquida, uma das incógnitas da equação, também se deteriorou no período, com expansão anual de 29,4% para R$ 1,03 bilhão. Segundo a Azul, o aumento foi em decorrência dos juros de R$ 592 milhões sobre os arrendamentos e do aumento da taxa Selic.

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